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‘Movimentações na pré-campanha de Flávio Bolsonaro expõem fraqueza da candidatura’, diz cientista político

Rafael Cortez afirma que especulações acerca de continuidade da candidatura enfraquecem campo conservador

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Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto
O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente do PL | Crédito: Beto Barata/ PL

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República segue sofrendo impactos após a revelação de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quem teria pedido R$ 134 milhões para financiar Dark Horse, a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os memes que inundam a internet sobre a relação dos dois e a qualidade duvidosa do filme, Flávio se vê com necessidade urgente de recalcular a rota. Nesta quinta-feira (21), o publicitário Marcello Lopes, marqueteiro da campanha do senador, foi substituído pelo publicitário Eduardo Fischer.

O cientista político Rafael Cortez analisa que toda a movimentação dos últimos dias, inclusive as mudanças na equipe e na narrativa adotada para os fatos, expõe sinal de fraqueza da candidatura de Flávio.

“A troca do marketing de campanha traduz alguma percepção dos próprios apoiadores e aliados de Flávio Bolsonaro acerca dos dilemas de responder à agenda negativa a partir da divulgação dos áudios dele e Daniel Vorcaro. A forma com que inicialmente a campanha respondeu às críticas, justificando esse contato [com Vorcaro], não encerrou a temporada de especulações e até de inconsistências nesse discurso”, avalia ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Para Cortez, existem impactos cada vez mais claros também aos aliados de Flávio no campo conservador. “Esse tipo de problema na comunicação não afeta só o candidato em si, mas também aliados dessa candidatura. Quando há uma agenda negativa, esses líderes aliados também precisam fazer essa resposta. Se a gente acompanhar lideranças que estão nesse campo da direita ou do antipetismo, há uma disputa grande entre esse segmento sobre o que aconteceu. No sentido eleitoral, enquanto durar essa especulação se Flávio continua ou não como candidato, expressa um sinal de fraqueza política”, aponta.

O resultado da pesquisa Atlas/Intel, que aponta queda nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro, é um reflexo disso e, de acordo com Rafael Cortez, indica maior possibilidade de que o escândalo de Flávio Bolsonaro e Vorcaro encaminhe uma definição no primeiro turno do que o fortalecimento de outras candidaturas.

“Me parece que a eleição se aproxima mais de ter o resultado em primeiro turno do que de crescimento de uma eventual terceira via ou de transformação desse apoio, que era do Flávio, em alguma outra figura. Aí a gente poderia ter uma eleição até mais disputada, com a incerteza de quem poderia fazer a composição no segundo turno. Eu imagino que, mesmo com o áudio, a tendência ainda é um cenário de segundo turno, de manter a polarização. Mas não há dúvida de que, quando você traz esse desgaste para uma força política importante, tem uma tendência desse eleitor ficar desiludido, não encontrar outro porto seguro e aí ou ele se abstém ou vai de branco e nulo”, avalia.

Com relação à atitude do governo Lula diante dos fatos, o cientista político afirma que, até o momento, ela tem sido equilibrada. “O PT aumentou um pouco a maneira e as críticas em relação ao Flávio Bolsonaro e acho que vai ficar meio que medindo a temperatura para também, enfim, não acabar em desgastes desnecessários. E deixar uma agenda negativa mais para a oposição. Então o governo ganha, entre aspas, só ficando parado e cuidando de desenhar os seus próprios programas de governo”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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