A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, reforçou a solidariedade de Moscou à Cuba diante da pressão dos EUA. Durante um briefing à imprensa nesta quinta-feira (21), a diplomata afirmou que Havana foi informada sobre o tipo de assistência que Moscou planeja fornecer à ilha.
O comentário foi feito após uma acusação formal dos EUA contra o ex-presidente e líder da Revolução Cubana, Raúl Castro, referente à derrubada de duas aeronaves ainda em 1996.
“Reafirmamos nossa total solidariedade a Cuba. Condenamos veementemente qualquer tentativa de interferência grosseira nos assuntos internos de um Estado soberano, intimidação e o uso de medidas restritivas unilaterais, ameaças e chantagem. Continuaremos a fornecer o apoio mais ativo ao povo cubano fraterno durante este período extremamente difícil. Havana foi informada sobre as modalidades e os aspectos fundamentais da assistência”, disse ela.
A representante da chancelaria russa destacou que Cuba continua sendo alvo de “brutal pressão econômica dos Estados Unidos”. Segundo ela, as novas restrições impostas pela Casa Branca no início de maio contra empresas de países terceiros que operam na ilha têm o objetivo de impor um “estrangulamento econômico de Cuba”.
“As tentativas da administração da Casa Branca de apertar o cerco das sanções contra Cuba, juntamente com o bloqueio comercial, econômico, financeiro, humanitário e, mais recentemente, de combustível e energia, são um reflexo direto da intolerância de Washington a qualquer dissidência, uma personificação cínica de uma Doutrina Monroe revivida”, disse Zakharova.
A acusação contra Raúl Castro
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou na quarta-feira (20) uma acusação formal contra o ex-presidente e líder da Revolução Cubana, Raúl Castro. O anúncio, feito pelo procurador-geral interino, Todd Blanche, responsabiliza Castro pela derrubada, em 24 de fevereiro de 1996, de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate (“Irmãos ao Resgate”, em português), incidente no qual morreram quatro pessoas. Naquele momento, Castro atuava como ministro da Defesa.
“Pela primeira vez em quase 70 anos, a liderança superior do regime cubano foi acusada nos Estados Unidos por supostos atos de violência que resultaram na morte de cidadãos americanos”, afirmou Blanche em comunicado oficial.
Ao comentar a decisão, o embaixador da Rússia em Havana, Viktor Koronelli, declarou na quarta-feira (20) que as acusações apresentadas contra o general do Exército cubano fazem parte da política de Washington para aumentar a pressão sobre a ilha.
“Essa decisão apenas demonstra o desejo de encontrar pretextos para intensificar as tensões em torno da ilha”, escreveu o embaixador em sua conta no X.
O governo cubano condenou a decisão estadunidense, classificando-a como “canalha”. “O Governo Revolucionário condena nos termos mais enérgicos a canalha acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciada neste 20 de maio e propagada durante várias semanas contra o General do Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução cubana”, diz o comunicado.
China também rechaçou acusação
A China também manifestou sua rejeição às acusações dos Estados Unidos contra Raúl Castro. De acordo com Pequim, Washington deve parar de ameaçar a ilha “com o uso da força”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que a China se opõe firmemente a sanções unilaterais ilegais sem fundamento no direito internacional e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU”.
De acordo com ele, os Estados Unidos “devem parar de brandir a ameaça de sanções e ações legais contra Cuba”. “A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacionais e se opõe à interferência estrangeira”, acrescentou.
