A Brigada de Solidariedade Hugo Chávez, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), encerrou dois meses de atividades na Venezuela e retorna ao Brasil. O grupo, formado por 43 militantes internacionalistas, chegou ao país em março, percorreu as seis regiões venezuelanas, passou por 19 estados e pelo Distrito Capital de Caracas e visitou 150 territórios comunais, segundo Jaima Lopes, coordenadora da brigada.
Para ela, a experiência transforma quem participou. “Os brasileiros que vieram fazer solidariedade vão voltar muito mais nutridos do exemplo do que é a revolução bolivariana. E os venezuelanos também tiveram a oportunidade de compartilhar e conhecer a diversidade das experiências”, avalia. “No geral, o balanço é que nós estamos num processo de nos forjar também como militantes internacionalistas, como militantes revolucionários, que seguirão defendendo a revolução na Venezuela e o socialismo como uma alternativa real para a construção de uma outra sociedade.”
A militante baiana Camila Souza diz que já pensa em retornar. “Viver a revolução bolivariana com os próprios venezuelanos, escutar como foi o 3 de janeiro, foi incrível. Quero voltar outras vezes, poder conversar mais”, conta. Ela acha difícil dizer do que mais gostou. “Eu não sei, a culinária, a cultura, aprendi a dançar tambor, fazer arepa e também viver esses dois meses como uma família com os venezuelanos, porque eles são muito receptíveis e carinhosos. O pessoal da comuna também me ensinou muito. Aprendi a nadar e fiz piso com eles”, conta.
A brigada também contou com a participação de organizações locais, como a União Comuneira. Abrannys Mendoza, integrante da entidade, relata a experiência do lado venezuelano: “Estes dois meses foram de muita experiência, muito aprendizado, mas também de adaptação — de ver a realidade da comuna venezuelana, como vive o povo, como se organizam os conselhos comunais e as comunas em cada território. Foram experiências muito boas com os companheiros e as companheiras do Brasil.”
Para Maurício Arantes, militante do MST que vive na Venezuela e integra a Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho, a iniciativa abre caminho para novas parcerias. “A Brigada de Solidariedade Hugo Chávez cumpre um papel fundamental: abrir portas para territórios que ainda não tínhamos alcançado. Com um território tão grande e tanta diversidade natural e social, essa brigada alcança organizações que nós, da brigada permanente, ainda não tínhamos chegado”, avalia.
Arantes defende a continuidade da iniciativa. “A solidariedade é uma tarefa, um valor e um princípio do MST. Precisamos seguir com essa intencionalidade e dar continuidade a essas experiências, porque é o que nos possibilita potencializar ainda mais a solidariedade entre os povos latino-americanos”, afirma.
