Em um cenário marcado pelo aumento da violência de gênero e pela dificuldade de acesso à informação e aos direitos, 25 mulheres da Restinga, em Porto Alegre, iniciaram no sábado (16) uma trajetória de formação voltada ao fortalecimento coletivo, à autonomia e à defesa da vida das mulheres. Promovido pela Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, o curso de Promotoras Legais Populares (PLPs) aposta na formação cidadã e no conhecimento jurídico popular como ferramentas para ampliar redes de proteção e fortalecer lideranças femininas dentro das comunidades.
Entre relatos de vida marcados pela violência, memórias familiares e o desejo de transformar a realidade da comunidade, teve início neste sábado (16) a quarta turma do curso de formação de Promotoras Legais Populares (PLPs) na Restinga, em Porto Alegre. A iniciativa reúne 25 mulheres em um processo formativo que busca democratizar o acesso à informação jurídica, fortalecer lideranças populares e ampliar as redes de proteção nos territórios.
Com mais de três décadas de atuação, a Themis desenvolve o programa de Promotoras Legais Populares desde 1993, formando mulheres para atuar como multiplicadoras de direitos em suas comunidades. A nova turma da Restinga terá encontros até agosto, abordando temas ligados à cidadania, violência de gênero, direitos humanos, saúde, assistência social e acesso à justiça.
A aula inaugural contou com a presença da conselheira diretora da Themis, Denise Dora, da diretora executiva da entidade, Jéssica Miranda Pinheiro, da Promotora Legal Popular Jussara Barros e do diretor-geral do IFRS Campus Restinga, professor Rudinei Müller.
Ao destacar a permanência histórica do programa, Denise Dora afirmou que a formação segue necessária diante do agravamento das violências contra as mulheres. “Sempre existem direitos que precisam ser conhecidos e direitos pelos quais devemos lutar. As mulheres seguem sendo atacadas, agredidas e assassinadas, e não há resposta possível sem o movimento de mulheres organizado, conhecendo o mundo da justiça, da saúde, da educação e da assistência”, pontuou.
Segundo ela, o principal objetivo da iniciativa é preservar vidas e ampliar a autonomia das mulheres. “O grande objetivo do programa é preservar a vida das mulheres e ampliar sua capacidade de usufruir direitos, ter autonomia e ajudar outras mulheres a viverem melhor”, afirmou.
Durante a abertura, o professor Rudinei Müller ressaltou a relação histórica entre o campus e a luta da população da Restinga por acesso à educação pública. “Esse campus é da comunidade Restinga. Ele não é meu, como diretor, nem dos servidores. Ele está aqui porque a comunidade lutou para que existisse. Então, vocês podem ocupar esse espaço, usar a biblioteca, os laboratórios e tudo o que o campus oferece”, declarou às participantes.
Entre as mulheres que iniciam a formação está Natália Cristine Rocha dos Santos, que conheceu o curso por meio de um grupo de cuidadores de idosos ligado ao IFRS. Emocionada, ela relacionou a experiência à trajetória da avó, também moradora da Restinga. “Minha avó poderia ter vivido essa acolhida e isso teria mudado muito a vida dela, para que ela não vivesse um relacionamento abusivo. Então, só o fato de eu estar aqui já é uma honra”, relatou.
Natália também destacou o impacto da formação em sua trajetória profissional e pessoal. “Só o fato de eu ter mais informações e ferramentas para poder ajudar outras mulheres já agrega muito ao meu conhecimento, ao meu trabalho como cuidadora e, principalmente, à minha vivência como mulher e como mulher preta”, afirmou.
