homenagem e memória

Laudelina de Campos Mello, pioneira na luta pelas trabalhadoras domésticas, é tema de exposição em SP

Historiadora Raquel Barreto, co-curadora da exposição, afirma que manter legado de Laudelina fortalece luta da categoria

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Laudelina na Posse da Diretoria da Associação das Empregadas Domésticas de Campinas, Campinas, São Paulo, 5 de julho de 1962. Fotografia analógica / Autoria não identificada. Acervo Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas
Laudelina na Posse da Diretoria da Associação das Empregadas Domésticas de Campinas, em Campinas, São Paulo, 5 de julho de 1962 | Crédito: Acervo do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas

Laudelina de Campos Mello (1904-1991), pioneira na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil, ganhou uma exposição sobre sua trajetória no Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo (SP).

Mulher negra, nascida em família humilde de Poços de Caldas (MG), Laudelina começou a trabalhar como doméstica muito cedo e sentiu na pele os efeitos do racismo. Iniciou, então, sua militância pela causa trabalhista na Era Vargas que, apesar de ter implementado a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), deixou justamente a sua categoria de fora. Mais tarde foi para Santos (SP), onde fundou uma associação para cuidar das trabalhadoras domésticas quando envelheciam — muitas delas eram colocadas nas ruas pelas famílias para quem tinham trabalhado a vida inteira.

A historiadora Raquel Barreto, co-curadora da exposição “Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello”, conta que, embora forjada na luta trabalhista, Laudelina foi referência em outras áreas, criando possibilidades de cultura e emancipação para mulheres.

“Ela participou como voluntária de uma força especial que as Forças Armadas criaram para proteger o Brasil de ameaças externas, sendo a primeira mulher negra do batalhão que ela se inscreveu. Já em Campinas, além da luta sindical, ela organiza o baile Pérola Negra, festa de debutantes, organiza um tablado de música. Esse tipo de associativismo é uma forma de engajamento de Dona Laudelina. E então ela participa da fundação do sindicato das trabalhadoras. É uma mulher que a vida inteira se dedicou à luta pela liberdade, reconhecimento do povo negro e da classe trabalhadora”, afirma.

Raquel Barreto reforça que o estigma com relação à trabalhadora doméstica no Brasil remonta o passado escravista e defende que o legado de luta de Laudelina precisa ser conhecido por mais gente. “É uma mulher fascinante com inúmeros feitos e com um legado de luta e resistência. É uma forma de homenagear e fazer memória à trajetória da Laudelina, mas também contemplando outras trabalhadoras domésticas”, explica. “Parte da desvalorização do trabalho doméstico acontece sobretudo pelo passado da escravidão. É quase um continuidade. A gente exalta o trabalho doméstico, mas a gente discute esse estereótipo. E a gente lembra que apenas na gestão Dilma Rousseff foi aprovada a PEC das Domésticas“, pontua a historiadora.

A exposição está em cartaz desde o dia 16 de maio e vai até dia 22 de novembro no IMS Paulista, na Avenida Paulista, 2424, São Paulo (SP). Entrada gratuita.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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