Análise

No Piauí, Rafael Fonteles lidera intenções de voto para o governo com pauta além do PT, enquanto Ciro Nogueira perde força na disputa ao Senado

Filho de fundador do PT, governador construiu imagem ligada ao setor empresarial, aponta cientista político

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Rafael Fonteles
Rafael Fonteles | Crédito: Renato Braga/Governo do Píauí

O governador Rafael Fonteles aparece com ampla vantagem na disputa pela reeleição no Piauí em um cenário que combina a força histórica do PT no estado, a dificuldade da oposição em se reorganizar após o bolsonarismo e um perfil político que ultrapassa o eleitorado tradicional do lulismo. A avaliação é do cientista político Vítor Sandes, diretor do Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, desta sexta-feira (22).

Segundo Sandes, a trajetória de Fonteles ajuda a explicar o cenário. Filho de Nazareno Fonteles, um dos fundadores do PT no Piauí, o governador representa uma geração diferente da liderança histórica do partido. O pesquisador afirma que o governador construiu uma imagem ligada à capacidade intelectual e ao setor empresarial, distante da origem sindical que marcou parte do PT nos anos 1980 e 1990.

O cientista político afirma ainda que Fonteles conseguiu unir a identificação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com pautas voltadas a setores moderados e até conservadores do eleitorado. Ao contrário da campanha de 2022, quando o atual governador chegou a ser apresentado como “filho do Lula” no estado. Ao mesmo tempo, segundo Sandes, o petista ampliou o diálogo político ao apostar em temas como segurança pública, inteligência artificial e atração de investimentos.

“Rapidamente ele conseguiu crescer muito no contexto de 2022, mas, ao mesmo tempo, trouxe pautas que extrapolavam o lulismo e que dialogavam de alguma maneira com um público mais moderado e até mesmo à direita. Tanto que, logo no início do seu governo, aí em 2023, ele implementou uma série de ações na Secretaria de Segurança Pública de recuperação de celulares. Isso teve uma boa aprovação da população”, argumenta o cientista político.

A leitura do cientista político encontra respaldo na pesquisa AtlasIntel realizada entre 13 e 18 de maio com 1.240 entrevistados no Piauí e divulgada no dia 19 do mesmo mês. No cenário estimulado para o governo estadual, Rafael Fonteles aparece na liderança com vantagem sobre os adversários, com 69,3% das intenções de voto contra 27% de Joel Rodrigues (PP), indicando uma possível vitória logo no primeiro turno. Os demais candidatos não passam de 2%.

Senado

Na disputa pelo Senado, a pesquisa AtlasIntel mostra vantagem de Marcelo Castro (MDB), que aparece com 34,3% dos votos válidos no consolidado de primeiro e segundo votos. Júlio César (PSD) surge em seguida com 25,7%. Ciro Nogueira (PP), envolvido no escândalo do Banco Master de Daniel Vorcaro, aparece em terceiro com 16,9% das intenções de voto.

Para Sandes, o cenário é considerado difícil para Nogueira. O cientista político afirma que o parlamentar construiu uma liderança nacional relevante dentro da direita e do Progressistas, mas pagou um custo político ao se aproximar do bolsonarismo e assumir a Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL).

“Ele se vinculou muito ao bolsonarismo. Não era o perfil dele porque, apesar de ele ter vínculos com a direita piauiense, ele tinha um perfil um pouco mais estratégico do ponto de vista das alianças. Tanto que em 2018, já no contexto de um forte antipetismo nacional, o Ciro saiu como candidato da base do PT. Mas ele se bolsonarizou ao longo dos anos, tornou-se ministro-chefe da Casa Civil e isso tem um preço. O preço é que, em 2022, Bolsonaro não foi reeleito e ele teve que arcar com esse custo político do ponto de vista mais amplo”, diz Sandes.

Sandes avalia que as investigações recentes relacionadas ao caso Banco Master agravaram a situação política do senador. Ele afirma que prefeitos aliados passaram a enfrentar dificuldades para manter apoio público ao parlamentar diante da repercussão das operações, mesmo diante da necessidade dos recursos federais provindos de parlamentares. “A gente sabe que os prefeitos e os vereadores têm um papel fundamental em capilarizar candidaturas, ainda mais numa disputa tão acirrada”, diz.

O cientista político afirma que o PT identificou esse cenário e consolidou uma estratégia para disputar as duas vagas ao Senado com Marcelo Castro e Júlio César. De acordo com Sandes, a composição já está fechada e faz parte de um movimento nacional do PT para ampliar presença no Senado em 2026. “A gente tem acompanhado agora o quanto ter base de apoio no Senado é importante. Por exemplo, depois de mais de 100 anos, o presidente não conseguiu aprovar a indicação para o Supremo”, afirma Sandes em referência à indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, que foi rejeitada pelos senadores.

Editado por: Luís Indriunas

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