O Paquistão anunciou neste sábado (23) avanços nas negociações entre Irã e Estados Unidos para tentar consolidar o cessar-fogo no Oriente Médio. O movimento, no entanto, ocorreu enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar uma retomada da guerra, caso não haja acordo com Teerã.
Segundo comunicado do Exército paquistanês, o chefe militar do país, marechal Syed Asim Munir, teve reuniões “altamente produtivas” com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e outras autoridades em Teerã. Os militares afirmaram que houve “progresso encorajador” rumo a um entendimento final entre os dois lados.
Munir também se reuniu com o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Qalibaf. O Paquistão atua como intermediário nas conversas entre Washington e Teerã desde o início da guerra, transmitindo propostas e mensagens entre os governos com apoio do Catar.
Qalibaf afirmou que o Irã não abrirá mão dos “direitos legítimos” do país e disse que as Forças Armadas iranianas reconstruíram suas capacidades militares durante o cessar-fogo em vigor desde abril.
“Se Trump cometer outro ato de loucura e reiniciar a guerra, [o resultado] será certamente mais esmagador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra”, declarou o parlamentar iraniano.
As declarações ocorreram após Trump afirmar que pode decidir até domingo (24) se retomará os ataques contra o Irã. O presidente americano disse que analisará a nova proposta iraniana com assessores antes de tomar uma decisão. “Ou chegamos a um bom acordo ou vou explodi-los em mil infernos”, afirmou Trump em entrevista ao site Axios.
O governo americano já havia rejeitado em 18 de maio uma proposta iraniana mediada pelo Paquistão para encerrar o conflito. Segundo o Axios, Washington considerou os termos insuficientes.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, criticou as “posições contraditórias e as repetidas exigências excessivas” dos Estados Unidos durante conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Segundo ele, essas ações “perturbam o processo de negociações conduzido sob mediação do Paquistão”.
“Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã participou do processo diplomático com uma abordagem responsável e a maior seriedade, e busca alcançar um resultado razoável e equitativo”, afirmou Araqchi.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, disse que seguem “profundas” as divergências entre os dois países. Entre os pontos de impasse estão o controle do Estreito de Ormuz, o bloqueio aos portos iranianos, a guerra em outras frentes do Oriente Médio e a questão nuclear.
A guerra começou em 28 de fevereiro, após uma ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel contra instalações militares e nucleares iranianas. A ação matou o líder supremo do país persa, Ali Khamenei, e integrantes da cúpula do regime iraniano. Desde então, o conflito provocou alta no preço do petróleo e ampliou a tensão no Oriente Médio.
