Após o escândalo envolvendo áudios trocados com o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nesta segunda-feira (25) em Washington, nos Estados Unidos, onde tenta viabilizar uma reunião com o presidente Donald Trump em meio à queda registrada nas pesquisas de intenção de voto.
A previsão é que o encontro aconteça na terça-feira (26), embora não exista confirmação oficial da Casa Branca. Segundo aliados do senador, o convite teria sido enviado por e-mail ao gabinete de Flávio no Senado após articulação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e mantém interlocução com integrantes do governo estadunidense.
A viagem ocorre no momento de maior desgaste da pré-campanha do senador desde a divulgação de que ele procurou Vorcaro, dono do banco Master, para buscar apoio financeiro ao filme “Dark Horse”, que trata da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ). Levantamentos do Datafolha e da AtlasIntel apontaram recuo de Flávio nos cenários de primeiro e segundo turno após a repercussão do caso.
Em entrevista durante a viagem, Flávio evitou detalhar o encontro com Trump. “Não posso dar detalhes. A orientação é que não falássemos nada antes da reunião acontecer”, afirmou à BBC News Brasil.
O senador embarcou no domingo (24) no Aeroporto Internacional de Guarulhos acompanhado de um segurança. Durante o voo até Washington, permaneceu na classe executiva e foi abordado por passageiros para tirar fotos. Na chegada aos Estados Unidos, utilizou a fila reservada a portadores de passaporte diplomático e não informou em qual hotel ficaria hospedado nem se encontraria seu irmão Eduardo.
Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que uma foto ao lado de Trump pode ajudar a interromper a sequência de notícias negativas envolvendo Vorcaro e reativar a mobilização de apoiadores. A equipe de Flávio também vê o encontro como forma de responder à recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca, considerada estratégica por aliados do governo.
Segundo interlocutores do senador, a conversa com Trump pode incluir temas como crime organizado, tarifas comerciais, minerais críticos e big techs. Flávio também pretende defender que facções como o PCC e o Comando Vermelho sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Em entrevista à CNN, o senador afirmou que pretende manter uma política externa baseada no “pragmatismo”. “Minha condução na política externa vai ser pragmática, a favor do povo brasileiro. Não tenho problema nenhum de sentar para conversar com os Estados Unidos ou com a China, com Israel ou outros países do Oriente Médio, sempre pensando no que for melhor para o Brasil”, declarou.
No governo Lula, auxiliares acompanham a movimentação com cautela. Integrantes do Planalto afirmam reservadamente que não pretendem questionar a Casa Branca sobre a possível reunião, mas avaliam que a ida de Flávio aos Estados Unidos busca mudar o foco da crise provocada pela relação do senador com Vorcaro.
A realização do encontro ainda é tratada com cautela por aliados do senador. Trump permaneceu em Washington nos últimos dias, concentrado nas negociações entre Estados Unidos e Irã, e chegou a cancelar compromissos pessoais para acompanhar as tratativas. A equipe de Flávio teme que a agenda possa ser alterada de última hora.
