LGBTfobia

‘Discriminatório e inconstitucional’, diz advogado sobre projeto de Rubinho Nunes para eventos LGBT+

Para Ariel de Castro Alves, proposta é eleitoreira e foca em conquistar setor reacionário e conservador da população

No audio source provided.
Política nacional foca no enfrentamento de todas as formas de preconceito por orientação sexual ou identidade de gênero.
Política nacional foca no enfrentamento de todas as formas de preconceito por orientação sexual ou identidade de gênero | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um projeto de lei do vereador de São Paulo Rubinho Nunes (União Brasil-SP) que prevê a proibição da participação de crianças em eventos relacionados à população LGBT+ foi aprovado na Câmara Municipal de São Paulo na última quarta-feira (20). O principal foco de ataque do político é a Parada do Orgulho LGBT+, que acontece todos os anos em junho. O texto ainda precisa passar por uma segunda rodada de votação no legislativo municipal.

Na justificativa do PL, Nunes afirma que a realização dos eventos em espaços abertos “podem causar embaraços a pais que estejam acompanhando seus filhos crianças ou adolescentes e não sejam adeptos à causa defendida pelos manifestantes” e fala em proteger crianças e adolescentes de acessar “conteúdo impróprio para sua idade”. Em post em seu perfil no Instagram, escreveu “NUNCA MAIS vão conseguir doutrinar, s3xualiz4r e expor nossas crianças nas ruas de São Paulo! Adulto faz o que quiser da própria vida. Mas criança não é instrumento de militância!”

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), diz que, do ponto de vista de análise jurídica, o projeto pode ser considerado inconstitucional. “É alguém que está procurando levar a sua demagogia, o oportunismo pré-eleitoral para ganhar votos entre os setores mais reacionários, mais conservadores”, afirma.

Ele destaca que a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo tem sido perseguida por setores conservadores desde sua criação, na década de 90, e que essas situações se intensificaram nos últimos anos. “A resposta a isso precisa ocorrer com a população na rua, com a adesão a essa manifestação em prol da cidadania”, defende. “A parada tem essa visão, essa finalidade de ser uma manifestação em defesa da cidadania contra a violência que tem vitimado principalmente os setores LGBT+. Então nós vemos aí uma proposta inconstitucional, porque a Constituição Federal de 1988 estabelece que todos são iguais perante a lei e que não pode existir nenhum tipo de discriminação”, diz.

Alves afirma que, se a proibição tivesse relação com a proteção de crianças e adolescentes por causa da aglomeração e da grande circulação de pessoas, a presença de público infantil seria proibida em outros eventos grandes, como a Virada Cultural e a Marcha para Jesus. “O projeto tem o caráter exatamente de discriminar o público LGBT+. Na visão distorcida desses setores reacionários, poderia influenciar as crianças e adolescentes a se tornarem homossexuais”, diz.

Ele lembra que a Constituição garante aos adolescentes o direito à liberdade, à cultura, à participação e ao lazer. “A Parada tem esse caráter também de garantir a liberdade de expressão, a liberdade de reunião e a participação na cultura, no lazer, por ser também uma atividade festiva”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

|

Newsletter