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Luciano Huck critica Bolsa Família porque ‘quer manutenção de desigualdades’, afirma cientista político

Para Paulo Roberto de Souza, endividamento gera benefícios para certos grupos

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Bolsa Família
Bolsa Família | Crédito: Roberta Aline/MDS

O apresentador Luciano Huck criticou, no sábado (23), o programa Bolsa Família, afirmando que ele não gera estímulos para a saída dos beneficiários e que famílias criariam “atalhos” para permanecer nele “ad eternum”, embora dados levantados pelo Brasil de Fato mostrem um cenário bastante diferente.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que a narrativa equivocada vocalizada por Huck reforça preconceitos e reflete o discurso de uma elite econômica que não quer ver a transformação social do Brasil.

“Eles não estão preocupados com índices de sustentabilidade econômica. Eles não estão preocupados com o índice de políticas públicas saudáveis. Eles estão preocupados com a manutenção de desigualdades que os beneficiem de forma radical. Muitas vezes a gente acha que é contrassenso, mas endividamento e alta desigualdade geram benefícios a determinados grupos”, afirma.

“Quando dizem: ‘Ah, as pessoas que recebem o Bolsa Família não se mexem’. Não, elas se mexem, sim, mas não do jeito que essa elite gostaria que elas se mexessem, dessa forma de extrema subordinação e dependência”, diz.

Para o cientista político, o aumento no número de beneficiários nos últimos anos se deu, basicamente, por dois fatores: a reforma trabalhista promovida pelo ex-presidente Michel Temer e a pandemia gerida pelo governo Bolsonaro. “Tudo isso gera de novo para um outro governo Lula uma necessidade de reorganização do Estado brasileiro, que estava jogado às traças e que mostra a potência de políticas como o Bolsa Família”, afirma.

Fim da escala 6×1

Esta semana pode ser decisiva para o fim da escala 6×1. Manifestações por todo o país no domingo (24) pediram a urgente aprovação da medida pelo Congresso Nacional.

Paulo Roberto de Souza defende que o projeto seja aprovado o mais rápido possível, porque, caso isso não aconteça, Lula terá que assumir o tema como compromisso de campanha dependendo de um Congresso com possível renovação de quadros que podem, inclusive, ser mais conservadores.

“Se não entregar [a aprovação do fim da escala 6×1], você tem um recálculo aí por parte da base de apoio do presidente, que é pautar essa 6×1 como uma promessa de campanha. Mas veja, ela não perde força enquanto pauta, porque 70% da população é favorável, como dizem as pesquisas, mas gera uma certa desconfiança, um desgaste em boa parte do eleitorado, principalmente aquele que não tem uma adesão ideológica ao presidente Lula. Ele vai olhar e falar: ‘Bom, você tem promessas e promessas e aí eu vou ter que dar mais um cheque em branco para trazer essa pauta de novo, a depender de como vai ser a configuração do Congresso'”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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