O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (25) em meio ao avanço das investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.
Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, o dirigente partidário classificou a polêmica visita do parlamentar ao banqueiro Daniel Vorcaro, quando o dono do Banco Master já cumpria prisão domiciliar, como “a coisa mais natural do mundo”.
De acordo com as declarações de Valdemar à jornalista Andréia Sadi, Flávio Bolsonaro buscou a agenda presencial com o empresário com o único objetivo de cobrar repasses financeiros atrasados para viabilizar a conclusão da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. O Vorcaro estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, minimizou o presidente da legenda.
Durante a entrevista, o cacique partidário insistiu em rechaçar a existência de qualquer tipo de ilegalidade ou quebra de decoro parlamentar na articulação direta mantida pelo filho de Bolsonaro com o banqueiro alvo de operações da Polícia Federal.
“Nós não temos dúvida de que foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas isso é normal. O que o Flávio fez é a coisa mais natural do mundo”, reiterou Valdemar Costa Neto. Ele argumentou ainda que só haveria problemas éticos ou jurídicos se o senador tivesse recorrido a aportes de instituições públicas como a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil.
Valdemar assegurou que o desgaste imposto pelo escândalo não altera o planejamento estratégico da sigla para a sucessão presidencial de 2026. O dirigente rechaçou de forma categórica uma eventual substituição na chapa majoritária e descartou o uso do nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro é o candidato do Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história porque ele vai ganhar as eleições”, disse. “A Michelle está fora de questão. Ela não é candidata à presidência”, completou.
O cerco a Flávio Bolsonaro
As declarações de Valdemar Costa Neto ocorrem em um momento de forte reação à série de revelações que ligam o filho do ex-presidente ao banqueiro preso. A crise ganhou contornos públicos na primeira quinzena de maio, quando reportagens revelaram que Flávio Bolsonaro negociou diretamente um montante de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro. O recurso milionário foi articulado para bancar a produção cinematográfica “Dark Horse”, que reconta a trajetória política do clã bolsonarista.
Pressionado pelas revelações dos bastidores financeiros, o parlamentar veio a público no dia 13 de maio para admitir formalmente a sua relação de proximidade com o dono do Banco Master. Na ocasião, o senador alegou que a movimentação de valores não configurava repasse irregular, sustentando que as transações estavam lastreadas sob um contrato formal de patrocínio privado para a execução do longa-metragem.
O cenário político e jurídico do parlamentar agravou-se na semana seguinte. As investigações expuseram que Flávio realizou uma visita pessoal à residência de Daniel Vorcaro logo após o banqueiro ter sido detido e colocado em regime de prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.
No dia 19 de maio, o senador confirmou o encontro forçado pelas circunstâncias, mas alegou que o objetivo da reunião emergencial foi meramente o de colocar um “ponto final” na parceria comercial devido à gravidade do escândalo financeiro.
A busca por uma agenda positiva que estanque o desgaste de sua pré-candidatura levou o parlamentar a deixar o país nesta segunda-feira (25). Após o vazamento dos áudios e da rejeição da delação premiada de Vorcaro pela PF, Flávio Bolsonaro desembarcou em solo estadunidense.
O senador tenta articular uma reunião de alinhamento político com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscando usar o selo internacional da extrema direita para contornar o isolamento político provocado pelo caso no Brasil.
