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‘Testemunhamos a existência de uma subumanidade’, diz ativista brasileira sequestrada por Israel

Beatriz Moreira era uma das quatro brasileiras que estavam na flotilha interceptada por Tel Aviv

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Global Sumud Flotilha busca abrir corredor humanitário em Gaza | Crédito: Divulgação

Uma das brasileiras que estava em uma flotilha que levava ajuda humanitária para Gaza e foi sequestrada por Israel relata ter sofrido tortura, violência psicológica e muitas humilhações. Beatriz Moreira e outros três brasileiros, sendo duas mulheres e um homem, foram libertados na quinta-feira (21) e chegaram ao Brasil no sábado (24).

Em entrevista nos estúdios da Rádio Brasil de Fato, no Conexão BdF desta terça-feira (21), Beatriz Moreira, atuante no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e ativista da Global Sumud Flotilha, conta que o grupo ficou sob cárcere quatro dias inteiros, sendo mais de dois dias nos chamados “navios prisões”. “Em seguida, fomos mantidos em cárcere nos calabouços de Israel. As violações começaram ali naqueles navios prisões, porque não existiam condições básicas de vida, era uma situação muito precária de saúde. A gente não tinha acesso à água corrente para lavar as mãos, a gente não tinha acesso ao sabão. Para ter água a gente precisava fazer motim. Enfim, uma série de situações que a gente sabe que não é nem 1% do que vive cada pessoa palestina, mas nós podemos ser testemunhas do que é essa própria concepção de existir uma subumanidade. Infelizmente, nós que vamos nessa missão que é humanitária vemos humanidade em todos, mas não somos recebidos da mesma forma”, relata.

Segundo ela, as piores violações aconteceram quando os navios já estavam atracados em Ashdod. “Passamos por uma situação muito grave. Os casos de estupro que foram documentados, os casos de violência muito graves, de ossos quebrados, foram naquele momento, e foi porque Itamar Ben-gvir estava lá. Então, ele precisava que nós fôssemos utilizados como exemplo, para inclusive desestimular a solidariedade internacional, não digo nem somente no sentido da flotilha. Ele queria passar uma mensagem”, afirma.

Moreira conta que saiu com um grupo de Barcelona no dia 14 de abril, com cerca de 30 embarcações compondo a flotilha. Até o dia 30 de abril, quando houve a primeira interceptação ilegal das forças de Israel, muitos outros ativistas de diversas nacionalidades foram se somando ao grupo de ajuda humanitária, que, àquela altura, já era composto por 50 navios.

“Já naquele primeiro momento, a gente percebe que o objetivo era fazer dessa flotilha um exemplo. Então, você percebe o deslocamento das forças de ocupação israelense, a marinha israelense navegando da costa de Israel para águas internacionais entre Itália e Grécia para ali já buscar pessoas. Então você percebe a primeira violação do direito internacional, inclusive direito consuetudinário marítimo. Então essa foi a primeira interceptação naquele processo. Teve todo um reagrupamento, uma reorganização, inclusive com as organizações da própria Palestina que ajudam a construir esse processo de como se reorganizar”, relata.

A ativista destaca a importância do engajamento de movimentos populares de diversos setores na causa palestina que transcende qualquer visão de mundo ou política e trata de uma luta por humanidade e em defesa de um povo que tem o direito de viver.

“A gente atendeu a um chamado histórico de nos somar a luta de um povo que já vive há mais de sete décadas sob um colonialismo cruel com objetivo claro de promover a limpeza étnica no território. Então, desde que o genocídio se intensificou, o movimento se colocou nessa tarefa e por isso estivemos representados nessa que foi a maior missão humanitária com caráter político de romper o cerco da história”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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