educação pública

‘Ataques do MBL à greve dos estudantes busca deslegitimar movimento’, denuncia sindicato

Integrantes do sindicato reforçam as pautas da mobilização e contam que a unificação de pautas fortalece o movimento

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Movimento grevista na Unicamp
Movimento grevista na Unicamp. | Crédito: Divulgação

A greve conjunta de professores, servidores e servidoras técnico-administrativos e estudantes avança gradativamente na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que se uniu a outras instituições de ensino paulista em defesa da educação pública e por melhorias salariais e de estrutura.

Esta quarta-feira (27) foi marcada pelo ataque aos grevistas por parte de integrantes do movimento de extrema direita Movimento Brasil Livre (MBL).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, os servidores Valério Paiva, do Sindicato dos Jornalistas, e Reginaldo Alves, do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, relatam como está a mobilização e quais serão os próximos movimentos.

Reginaldo Alves destaca que o movimento grevista vem se fortalecendo pela urgência das pautas e essa união entre servidores e estudantes contribui no processo de pressão para negociações. “Por estar forte, inclusive, o MBL provocou esses ataques entre os estudantes para tentar deslegitimar o processo. É uma greve que atinge mais de 63 cursos de graduação, também atinge os estudantes de pós-graduação e, no caso dos servidores, atinge principalmente os institutos, as faculdades e a administração central da universidade. Entre os docentes, é o processo mais recente, já que eles aderiram à greve na semana passada. Mas é uma greve que vem crescendo, ganhando muita força e muita legitimidade, tanto na sociedade como dentro do campus”, avalia.

Valério Paiva afirmou que manifesta solidariedade aos estudantes vítimas dos ataques e chama a atenção para o fato de que a ação do MBL contra universidades públicas não é inédita. “É sempre sistemática a tentativa de fazer provocações, tentar levar o discurso de ódio. A gente já identificou que são pessoas que são pré-candidatas pelo Partido Missão na Unicamp. Já houve duas invasões este ano e os envolvidos já foram levados para a delegacia. Já existe boletim de ocorrência da direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, que é onde nós trabalhamos e que acaba sendo o principal foco, porque eles atacam especialmente as Ciências Humanas, ainda mais levando em conta um movimento de mobilização, mas também da pauta do estudo estudantil”, acrescenta. “São setores da extrema direita que querem atacar o pensamento crítico”, continua.

Paiva também reforça que, entre as pautas de melhorias salariais e de estrutura das universidades paulistas, uma das mais fundamentais é a questão da permanência estudantil. “Nós mudamos o perfil do aluno da Unicamp nos últimos anos com as cotas, com as mudanças de acesso e permanência. Hoje são estudantes majoritariamente de escola pública, periféricos, indígenas, estudantes trans e muitos que já chegam em situação de vulnerabilidade. No entanto, a assistência estudantil da universidade não ampliou, não se preparou para esses novos estudantes e não está preparada para os próximos”, pondera. “Por exemplo, nós estamos agora em Limeira, onde estão 20% dos estudantes da Unicamp. Há duas faculdades e um colégio, mas não existe nenhuma vaga de moradia e nem previsão de construir moradia aqui”, relata.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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