A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1 por 34 votos a 4. Votaram contra apenas Mauricio Marcon (PL-RS), Osmar Terra (PL-RS), Julia Zanatta (PL-SC) e Gilson Marques (Novo-SC). Agora, o projeto vai para votação no plenário em dois turnos e depois segue para o Senado.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) critica ação da oposição, que, segundo ela, tentou de tudo para enterrar a pauta. “Primeiro, uma manobra para tirar a matéria de apreciação. Segundo, apresentaram uma emenda para, em vez de reduzir de 44 para 40 horas semanais, ampliar a possibilidade da jornada ao longo de cinco dias na semana para até 52 horas semanais. Passaria a ser mais de dez horas por dia de trabalho”, critica.
Rosário exulta a mobilização popular em torno da pauta. “Sozinhos aqui dentro somos poucos. E por isso no próximo pleito a gente tem que eleger pessoas que tenham vínculo como o projeto que o presidente Lula representa. Com a composição da Câmara, nós não aprovaríamos se o povo não estivesse ido para as ruas. Com esses protestos, a gente conseguiu enterrar essas emendas da direita e voltamos à discussão”, afirma, acrescentando que houve também o alinhamento de Lula com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A deputada federal pondera que a luta ainda continua, porque o projeto, caso seja aprovado no plenário da Câmara, precisará passar pelo Senado, presidido por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). “A gente tem uma disputa nos Poderes que hoje tenta não reconhecer a liderança do presidente Lula e o projeto de país que a gente tem. Mas vejam as diferenças: de um lado estamos nós aqui, defendendo o fim da escala 6×1, tendo vitória ao lado do povo e do presidente Lula e pressionando esse Congresso que é de maioria conservadora e contra o trabalhador e trabalhadora, inclusive o presidente do Senado. E do outro lado está o bolsonarismo, que como está? Metido nas confusões, roubos e corrupção do Vorcaro, e indo pedir benção ao presidente Donald Trump que tentou um tarifaço contra a nossa nação e que não se preocupa com a nossa soberania. Portanto, quem hoje está contra o fim da escala 6×1 está ao lado do bolsonarismo e contra o Brasil. Por isso que eu digo que é de fora para dentro que as coisas acontecem”, argumenta.
Maria do Rosário reitera que a extrema direita tem tentado jogar contra a proposta usando argumentos falaciosos de que a economia sofrerá impactos com o fim da escala 6×1 e refuta o que ela define como desinformação. “Com dois dias de descanso, o trabalhador terá maior qualidade de vida, que significa mais tempo com a família, mais tempo para a saúde, possibilidades melhores, e ao mesmo tempo menor adoecimento físico e mental. O tempo, a jornada, a escala não é garantia de produtividade. É garantia de exploração”, reforça.
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