REPORTAGEM ESPECIAL

No coração cultural da Venezuela mulheres e jovens estão na linha de frente das comunas

Brasil de Fato visitou comuna do estado de Lara, onde atua um grupo de militantes internacionalistas brasileiros

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Casa comunal da Comuna Edgar Rodríguez, no estado Lara, Venezuela.
Casa comunal da Comuna Edgar Rodríguez, no estado de Lara, na Venezuela | Crédito: Leonardo Fernandes/Brasil de Fato

Localizado na região centro-oeste da Venezuela, o estado de Lara é conhecido como o coração musical e cultural do país. Um estado de contrastes, de regiões áridas e úmidas, com uma agropecuária pujante, Lara tem se tornado um dos mais organizados na constituição de comunas socialistas. 

Nosso ponto de chegada foi a Comuna Socialista Edgar Rodríguez, a cerca de 40 minutos da capital do estado, Barquisimeto. Lá está mais um grupo de militantes internacionalistas brasileiros integrantes da brigada Hugo Chávez. 

A maioria de jovens chama a atenção. Cristian, militante da União Comuneira, afirma que uma das tarefas da juventude é não deixar ninguém de fora. 

“Muitos jovens às vezes não têm confiança, mas os outros que estão ali no território sempre os chamam e os trazem para as assembleias, para as atividades, e os fazem continuar construindo a comuna, porque o jovem tem que ser protagonista. Nós somos a geração que vai levar adiante o projeto de muitos companheiros que levaram anos e anos de luta. E agora nós vamos seguir esta luta, porque a Venezuela está vencendo e seguirá vencendo, apesar de estarmos ameaçados, apesar de estarmos agora com nosso presidente e nossa primeira combatente sequestrados. Nós estamos em pé de luta e seguiremos”, diz o jovem de 22 anos. 

Sâmela Glória é militante do MST e veio de Rondônia para conhecer a experiência venezuelana. Ficou surpresa com o que viu aqui. 

“Estes dias não foram nada como eu imaginei quando estava no Brasil. Foi uma convivência incrível, uma troca de cultura, uma troca de linguagem, principalmente dentro dos territórios. A gente vê a forma como os territórios se organizam, a forma como eles têm uma coletividade já na identidade deles, decisões tomadas em coletivo, tudo é dividido”, relata. 

“A coisa de que eu mais gostei foi esse amor que eles têm pela identidade venezuelana. Isso me deixou sem palavras, eu até comento com todo mundo, porque eles têm uma identidade. Em cada canto por onde você passa, tem uma bandeira da Venezuela”, afirma.

Outro aspecto que chamou a atenção dos brasileiros deste grupo é a forte participação das mulheres no processo de consolidação das comunas e na liderança de suas comunidades, como conta Valdirene Vieira, internacionalista da Marcha Mundial de Mulheres.

“Em toda comuna a que eu chego e onde converso com as mulheres, elas são muito claras na fala, elas sabem o que a comuna precisa, elas se unem e levam as propostas diante do conselho comunal. Nesta comuna onde estou aqui, Jorge Rodríguez, é impressionante o que elas conseguiram para todos. É fantástico o quanto elas se sentem felizes e orgulhosas de saber que essa comuna tem água, essa comuna tem energia, essa comuna está tendo um plano funerário. Quando contaram para nós como era difícil uma situação dessa, eu pensei: ‘Meu Deus’. Então eu me sinto privilegiada de estar aqui, de estar ouvindo elas falarem sobre essas conquistas. São mulheres muito resistentes. A força delas é uma coisa impressionante”, diz a brigadista.

“Você anda pela Venezuela toda e a história está contada nos muros. Se você perguntar para qualquer criança, ela sabe quem é Bolívar, sabe quem é Chávez e sabe quem é Maduro, e sabe o que é comuna, o que é um conselho comunal, a consulta popular. Os jovens falam isso com orgulho e isso é fantástico”, conta Valdirene.

A convivência, ainda que breve, vai deixar saudades. Para a caraquenha María Martínez, militante do Bloco de Comunas, ela é reflexo de um só povo.

“Com a Brigada Internacional Hugo Chávez, entre venezuelanos e irmãos e irmãs do Brasil, tiramos o conhecimento de intercambiar experiências para fortalecer os laços e a irmandade. Somos o mesmo povo lutando pelas necessidades, sabemos que estamos em uma luta de classes e que contam conosco para o que precisarem para seguir avançando, e nós sabemos que contamos com eles”, afirma.

De Lara, voltamos para Caracas, onde as decisões políticas são tomadas, enquanto o povo constrói revolução. 

Editado por: Thaís Ferraz

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