O governo brasileiro pretende intensificar as negociações com os Estados Unidos na próxima semana em busca de uma solução para o impasse tarifário que tem gerado preocupação entre setores produtivos e autoridades dos dois países. A expectativa de integrantes do Palácio do Planalto é que uma nova rodada de conversas permita avanços concretos sobre pontos considerados sensíveis para a relação comercial bilateral.
Na segunda-feira (1º), o governo dos Estados Unidos anunciou a conclusão da investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025 e propôs a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que políticas e práticas adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo ou onerando empresas estadunidenses.
Na quarta (3), o governo de Donald Trump anunciou uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de que essas economias falharam em impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, têm uma reunião por videoconferência prevista com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro deve servir para aprofundar o diálogo sobre os principais pontos em disputa e avaliar possíveis caminhos para um acordo.
Segundo informações de bastidores, representantes do governo avaliam que há espaço para a construção de entendimentos que reduzam tensões e evitem impactos mais profundos sobre exportações brasileiras. Entre os temas que estarão na mesa de negociação está o comércio eletrônico, um dos pontos observados com atenção pelos estadunidenses durante as discussões recentes.
Nos bastidores, integrantes do governo defendem que qualquer entendimento preserve os interesses nacionais e evite concessões que possam comprometer políticas de desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico. A avaliação é de que a negociação exige equilíbrio entre a manutenção do acesso ao mercado dos Estados Unidos e a proteção de setores considerados estratégicos para o crescimento do país.
