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‘Caso vença, Roberto Sánchez terá que refundar o Estado peruano’, diz analista internacional

Gustavo Menon lembra que desafio do futuro presidente é remover o 'entulho do passado' de ditadura do Estado peruano

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O congresista Roberto Sánchez é considerado herdeiro de Pedro Castillo
O congresista Roberto Sánchez é considerado herdeiro de Pedro Castillo | Crédito: Confer Perú

Na reta final da apuração que vai definir quem será o próximo presidente do Peru, a disputa tem sido voto a voto. Por volta das 17h30 desta segunda-feira (8), Roberto Sánchez, o candidato do campo de esquerda, assumiu a liderança na reta final da contagem com 16 mil votos de vantagem da oponente Keiko Fujimori, filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gustavo Menon, docente na Universidade Católica de Brasília (UBC) e no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP), avalia que, caso a vitória de Sánchez seja confirmada, ele terá o grande desafio de refundar o Estado peruano. “O Peru sofre há mais de dez anos uma profunda crise política e institucional. Chamo a atenção para os desafios de Sanchez no sentido de tentar refundar o Estado peruano. Essa é uma das plataformas políticas do partido de Sanchez, que quer estabelecer um processo constituinte inédito, chamando a atenção para essas forças que vêm dando a vitória apertada a ele”, explica Menon, ao destacar a parcela do campesinato que votou no candidato.

Gustavo Menon destaca que essas eleições devolveram ao povo o direito de escolher os representantes do parlamento, e isso é um pouco positivo no processo de construção democrática do país. “O desafio que está colocado é não cair em mais uma crise institucional e política que coloque fim no mandato do governo de Roberto Sánchez. Esse exercício deve ser feito com o resgate do Senado em termos de mediação e de emplacar as reformas fundamentais para se combater os níveis de informalidade, de criminalidade”, avalia.

“Chama a atenção que, nessas últimas eleições no país, tratava-se de um Congresso bastante preponderante, que levou processos de impeachment do dia para a noite, os impeachments express. Trata-se não apenas do resgate do Senado, mas mais do que isso, como o Senado pode ser essa casa para estancar essa grave crise que afeta o país nos últimos anos, em que, de fato, a aposta no sentido de se pensar numa reforma constitucional, ou até um processo constituinte, trata-se então de repactuar essas forças, em que o Senado será determinante em termos da composição dessa correlação de forças”, ressalta Gustavo Menon.

Segundo ele, as eleições no Peru acontecem em um contexto de avanço da direita e extrema direita na América Latina. “Trata-se de uma conjuntura bastante desfavorável. Isso passa a ser absorvido na vida política peruana, no qual o fujimorismo continua sendo uma força política de bastante relevo no país. E, claro, temos que aguardar o posicionamento de Sánchez sobre como será sua relação com os EUA, caso vença”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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