QUER ACORDO

Trump minimiza derrubada de helicóptero dos EUA pelo Irã, após dizer que iria responder ataque

De olho nas eleições, magnata republicano disse esperar que resolução do conflito esteja próxima

No audio source provided.
Fumaça sobe após um ataque aéreo israelense em Tiro, em 9 de junho de 2026
Fumaça sobe após um ataque aéreo israelense em Tiro, em 9 de junho de 2026 | Crédito: Kawant Haju/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou nesta terça-feira (9) a derrubada por parte do Irã de um helicóptero estadunidense que sobrevoava o território iraniano. Em entrevista ao Wall Street Journal, o magnata republicano disse que a queda “não foi nada demais”.

“O piloto está bem”, disse Trump, acrescentando que os detalhes do incidente são “bem diferentes do que vocês imaginam”, sem dar mais detalhes. A tripulação do helicóptero estava recebendo atendimento médico e seu estado de saúde era estável.

Mais cedo, Trump havia publicado em sua conta no Twitter que os “Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque” ocorrido sobre o Estreito de Ormuz, depois de afirmar que estava perto de um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

“Ontem à noite, os iranianos derrubaram um dos nossos helicópteros Apache altamente sofisticados, enquanto fazia patrulha sobre o Estreito de Ormuz”, escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.

“Preferimos a linguagem da diplomacia, mas falamos outros idiomas com muito mais desenvoltura. Rompam seus compromissos e passaremos ao que dominamos melhor”, disse, no X, o negociador-chefe do Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. O tom contrasta com os esforços para acabar com o conflito iniciado em 28 de fevereiro com os ataques israelenses e dos EUA contra o Irã.

O próprio Trump tinha dito mais cedo, nesta terça-feira, que a diplomacia estadunidense estava na “fase final” da negociação para encerrar as hostilidades e mencionou que um acordo poderia ser concluído em “dois ou três dias”.

Após 100 dias de guerra e da entrada em vigor de um frágil cessar-fogo, em 8 de abril, Irã e Israel voltaram a se atacar no domingo e na segunda-feira. A nova ofensiva deixou três mortos, entre eles dois militares, e 15 feridos no Irã, segundo um novo balanço da TV estatal, divulgado nesta terça-feira.

Trump, que busca uma saída para este conflito impopular nos Estados Unidos com a proximidade das eleições de meio de mandato, tinha instado os dois países a cessarem as hostilidades “de imediato”.

O Irã anunciou o fim de sua operação na segunda-feira e Israel fez o mesmo logo depois.

Antes desta enésima escalada das tensões, nesta terça-feira, os preços do petróleo tinham baixado, impulsionados pelas esperanças de um acordo, após terem disparado nas últimas semanas devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte mundial de combustíveis.

Em menos de 24 horas, o Irã lançou cerca de 30 mísseis contra Israel, segundo um comandante militar israelense, em resposta a um ataque no domingo contra os subúrbios do sul de Beirute, reduto do movimento islamista libanês pró-iraniano Hezbollah, no qual duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas.

Embora o Irã tenha anunciado “o fim da operação” na segunda-feira, também advertiu que, em caso de “continuação da agressão e das hostilidades, inclusive no sul do Líbano, seriam empreendidas ações muito mais severas e repressivas do que antes”.

Teerã exige que um acordo para encerrar o conflito inclua o fim dos combates no Líbano, arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel, em 2 de março, em represália pela morte do anterior líder iraniano, Ali Khamenei. Washington, ao contrário, deseja abordar o conflito no Líbano separadamente.

Líbano

Enquanto isso, no Líbano, continuam os bombardeios israelenses no sul do país, onde a cidade de Tiro voltou a ser alvo de bombardeios israelenses nesta terça-feira. Pela primeira vez desde 2 de março, o chamado para evacuação abrangeu toda a cidade, inclusive o bairro cristão, onde tinham se refugiado os habitantes de Tiro e de cidades vizinhas.

“O bairro cristão agora está 99% vazio”, disse à AFP Walid al Tawil, membro do conselho municipal. Antes desta advertência, ao menos oito pessoas morreram e 32 ficaram feridas em outro ataque israelense contra esta cidade milenar, segundo um balanço provisório do Ministério da Saúde.

Por sua vez, o Hezbollah reivindicou novos ataques contra as forças israelenses que ocuparam o sul do Líbano. Segundo o Exército, não houve baixas. Além disso, no norte de Israel, um homem acusado de ter atirado contra soldados após cruzar a fronteira procedente do Líbano foi morto, segundo o exército.

Na frente diplomática, o Paquistão continua manobrando para alcançar um acordo que, segundo seu primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, estava “prestes a ser concluído” quando eclodiram os últimos combates entre Irã e Israel.

Nesta terça-feira, o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, recebeu em Islamabad seu homólogo libanês, Rodolphe Haykal, para abordar a “situação de segurança regional”.

Editado por: Rodrigo Durão

|

Newsletter