O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou nesta terça-feira (9) a derrubada por parte do Irã de um helicóptero estadunidense que sobrevoava o território iraniano. Em entrevista ao Wall Street Journal, o magnata republicano disse que a queda “não foi nada demais”.
“O piloto está bem”, disse Trump, acrescentando que os detalhes do incidente são “bem diferentes do que vocês imaginam”, sem dar mais detalhes. A tripulação do helicóptero estava recebendo atendimento médico e seu estado de saúde era estável.
Mais cedo, Trump havia publicado em sua conta no Twitter que os “Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque” ocorrido sobre o Estreito de Ormuz, depois de afirmar que estava perto de um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
“Ontem à noite, os iranianos derrubaram um dos nossos helicópteros Apache altamente sofisticados, enquanto fazia patrulha sobre o Estreito de Ormuz”, escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.
“Preferimos a linguagem da diplomacia, mas falamos outros idiomas com muito mais desenvoltura. Rompam seus compromissos e passaremos ao que dominamos melhor”, disse, no X, o negociador-chefe do Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. O tom contrasta com os esforços para acabar com o conflito iniciado em 28 de fevereiro com os ataques israelenses e dos EUA contra o Irã.
O próprio Trump tinha dito mais cedo, nesta terça-feira, que a diplomacia estadunidense estava na “fase final” da negociação para encerrar as hostilidades e mencionou que um acordo poderia ser concluído em “dois ou três dias”.
Após 100 dias de guerra e da entrada em vigor de um frágil cessar-fogo, em 8 de abril, Irã e Israel voltaram a se atacar no domingo e na segunda-feira. A nova ofensiva deixou três mortos, entre eles dois militares, e 15 feridos no Irã, segundo um novo balanço da TV estatal, divulgado nesta terça-feira.
Trump, que busca uma saída para este conflito impopular nos Estados Unidos com a proximidade das eleições de meio de mandato, tinha instado os dois países a cessarem as hostilidades “de imediato”.
O Irã anunciou o fim de sua operação na segunda-feira e Israel fez o mesmo logo depois.
Antes desta enésima escalada das tensões, nesta terça-feira, os preços do petróleo tinham baixado, impulsionados pelas esperanças de um acordo, após terem disparado nas últimas semanas devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte mundial de combustíveis.
Em menos de 24 horas, o Irã lançou cerca de 30 mísseis contra Israel, segundo um comandante militar israelense, em resposta a um ataque no domingo contra os subúrbios do sul de Beirute, reduto do movimento islamista libanês pró-iraniano Hezbollah, no qual duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas.
Embora o Irã tenha anunciado “o fim da operação” na segunda-feira, também advertiu que, em caso de “continuação da agressão e das hostilidades, inclusive no sul do Líbano, seriam empreendidas ações muito mais severas e repressivas do que antes”.
Teerã exige que um acordo para encerrar o conflito inclua o fim dos combates no Líbano, arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel, em 2 de março, em represália pela morte do anterior líder iraniano, Ali Khamenei. Washington, ao contrário, deseja abordar o conflito no Líbano separadamente.
Líbano
Enquanto isso, no Líbano, continuam os bombardeios israelenses no sul do país, onde a cidade de Tiro voltou a ser alvo de bombardeios israelenses nesta terça-feira. Pela primeira vez desde 2 de março, o chamado para evacuação abrangeu toda a cidade, inclusive o bairro cristão, onde tinham se refugiado os habitantes de Tiro e de cidades vizinhas.
“O bairro cristão agora está 99% vazio”, disse à AFP Walid al Tawil, membro do conselho municipal. Antes desta advertência, ao menos oito pessoas morreram e 32 ficaram feridas em outro ataque israelense contra esta cidade milenar, segundo um balanço provisório do Ministério da Saúde.
Por sua vez, o Hezbollah reivindicou novos ataques contra as forças israelenses que ocuparam o sul do Líbano. Segundo o Exército, não houve baixas. Além disso, no norte de Israel, um homem acusado de ter atirado contra soldados após cruzar a fronteira procedente do Líbano foi morto, segundo o exército.
Na frente diplomática, o Paquistão continua manobrando para alcançar um acordo que, segundo seu primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, estava “prestes a ser concluído” quando eclodiram os últimos combates entre Irã e Israel.
Nesta terça-feira, o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, recebeu em Islamabad seu homólogo libanês, Rodolphe Haykal, para abordar a “situação de segurança regional”.
