Referência da militância negra e sindical no Rio Grande do Sul, Vera Lúcia Goulart da Rosa faleceu na manhã desta segunda-feira (8), aos 65 anos. Trabalhadora do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS) e integrante da coordenação estadual do Movimento Negro Unificado no Rio Grande do Sul (MNU/RS), Verinha, como era conhecida, estava internada desde 2 de junho em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A despedida de Vera ocorre nesta terça-feira (9), no Angelus Memorial e Crematório, no bairro Medianeira, em Porto Alegre. A cerimônia está marcada para as 16h.
A morte de Vera provocou comoção entre amigos, entidades do movimento negro, do movimento sindical e órgãos públicos. Notas de pesar destacam a trajetória de militância, a atuação no combate ao racismo e o compromisso com a defesa dos direitos da população negra e da classe trabalhadora.
O Movimento Negro Unificado definiu Vera como “um farol de resistência, dignidade e, acima de tudo, de muita alegria”. Segundo a entidade, ela ensinou que a luta pela igualdade racial deve ser feita “com firmeza política, mas também com afeto e humanidade”.
O MNU também destacou a capacidade de mobilização e a dedicação da militante à organização. “Vera nos deixa um legado de coragem: a certeza de que a nossa causa é justa e que a nossa união é o que nos mantém de pé”, diz o texto. A nota encerra com a homenagem: “Vera Lúcia Goulart da Rosa, PRESENTE! Valeu, Vera, por tudo!”
O MNU/RS também manifestou pesar pela morte de Vera, tratada pela entidade como secretária-geral do movimento no estado. A coordenação estadual destacou a presença recente da militante em uma atividade da organização, em 30 de maio.
“Estávamos reunidos no Encontro Estadual do MNU-RS, compartilhando sonhos, debates e a certeza de que a luta coletiva segue transformando vidas. Hoje, permanecem conosco suas palavras, seu exemplo e seu legado”, afirmou a entidade.
Para o MNU/RS, Vera foi uma “militante incansável” que dedicou grande parte da vida à luta contra o racismo, à defesa dos direitos da população negra e ao fortalecimento do movimento. “Sua trajetória foi marcada pelo compromisso, pela coragem e pela generosidade com que acolhia e inspirava companheiras e companheiros de caminhada”, registrou a entidade.
Trajetória sindical
No Sindiserf/RS, Vera atuava desde 1º de outubro de 1993. Ingressou inicialmente como auxiliar de serviços gerais e depois tornou-se secretária administrativa da entidade. Segundo o sindicato, em mais de três décadas de trabalho, Verinha teve papel fundamental no apoio às diretorias e na organização das lutas da categoria.
Em 2023, quando completou 30 anos de atuação no Sindiserf/RS, Vera relacionou a trajetória no sindicato ao próprio processo de formação política. “E foi assim que dei início ao meu ser político, onde pude me desenvolver enquanto militante nos movimentos sociais e mais especificamente no Movimento Negro”, afirmou na ocasião.
Além da atuação no Sindiserf/RS e no MNU/RS, Vera integrava a Comissão Nacional de Ética do MNU e era dirigente do Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais e Órgãos de Classe (Sindisindi). Para o Sindiserf/RS, ela foi e seguirá sendo “uma referência de dedicação, firmeza e compromisso com a luta do povo negro e as causas sociais”.
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) também divulgou nota de pesar. A pasta afirmou que recebeu “com profundo pesar” a notícia da morte de Vera e destacou a trajetória da liderança como exemplo de dedicação à justiça social, à igualdade racial e à defesa dos direitos da categoria e da classe trabalhadora.
“Seu legado de compromisso, resistência e coragem seguirá vivo, iluminando caminhos e inspirando as próximas gerações de luta”, afirmou o ministério.
Vera deixa filha, netos, bisnetos, amigos e companheiros de militância.
