O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, alertou o governo de Cuba para não comprar nem considerar o uso de armas que possam atingir o território dos Estados Unidos ou a base naval norte-americana na Baía de Guantánamo, onde realiza uma visita nesta quarta-feira (10). De acordo com ele, tal postura seria um “convite” a Washington para um confronto que “não suportariam”.
“Seria imprudente por parte do governo de Cuba tentar adquirir ou obter acesso aos tipos de armas que poderiam chegar a esta base ou à pátria americana”, disse Hegseth. “Eles estariam convidando um tipo de confronto que não só não querem, mas também não suportariam. Nenhum país na Terra pode igualar as capacidades dos Estados Unidos da América”.
Em entrevista ao jornal espanhol El Diario, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que vê três possíveis cenários planejados pela Casa Branca contra seu país: agitação social, diálogo coercitivo para assumir o controle da economia cubana ou conflito armado.
“Nunca ameaçamos ninguém. No entanto, a agressão contra Cuba está cada vez mais presente na retórica dos porta-vozes do governo dos Estados Unidos. Essa retórica está se intensificando cada vez mais”, disse o chefe de Estado.
A visita do secretário de Defesa norte-americano à base militar ocorre menos de duas semanas depois que o principal comandante dos Estados Unidos para a América Latina, general Francis Donovan, visitou a Estação Naval de Guantánamo e manteve discussões com um general cubano sênior em seu perímetro. Além disso, ocorre também após uma rara visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana, no início de maio.
As movimentações de figuras norte-americanas acontecem no contexto da crescente pressão exercida pelo presidente Donald Trump sobre a ilha socialista. Em declarações intervencionistas, o republicano tem frequentemente alegado a necessidade de uma mudança política em Cuba ao considerar o país uma “ameaça” à segurança nacional norte-americana.
Sob esse pretexto, Washington impôs um bloqueio energético contra a ilha, deixando-a por ao menos três meses sem receber uma gota de petróleo. As medidas da Casa Branca provocaram mais apagões, inflação, escassez de produtos básicos, redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado.
Além disso, em 20 de maio, os Estados Unidos formalizaram, de forma infundada, quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, mencionando uma suposta “conspiração para matar cidadãos norte-americanos”, de acordo com relatórios publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano. O processo estava ligado à derrubada de duas aeronaves que resultaram na morte de quatro pilotos da organização terrorista “Irmãos ao Resgate”, episódio ocorrido há 30 anos.
