esporte e política

‘É a primeira vez que um país em guerra sedia uma Copa do Mundo’, aponta historiador

Diogo Xavier destaca que Infantino queria expandir comercialmente os jogos e via os EUA como um mercado possível

No audio source provided.
MEXICO CITY, MEXICO - JUNE 11: Andrea Bocelli and EJAE perform at the Opening Ceremony during the World Cup First Stage Group A match between Mexico and South Africa at Estadio Azteca (Mexico Stadium) in Mexico City, Mexico on June 11, 2026. Jose Hernandez / Anadolu (Photo by Jose HERNANDEZ / Anadolu via AFP)
Estreia foi marcada por protestos do lado de fora do Estádio Azteca | Crédito: Jose HERNANDEZ / Anadolu via AFP

A Copa do Mundo teve sua estreia nesta quinta-feira (11) com dois jogos no México, uma das sedes do mundial neste ano, ao lado dos Estados Unidos e Canadá. O anfitrião do dia derrotou a África do Sul por 2 x 0 no jogo oficial de abertura no Estádio Azteca, e a Coreia do Sul venceu a República Tcheca por 2 x 1.

Do lado de fora do estádio, manifestantes protestaram contra os gastos envolvendo os jogos em um país que vive uma série de problemas na economia, nas políticas sociais e na segurança pública.

Nos últimos dias, o tensionamento envolvendo as nuances políticas do evento escalou com negativa de permanência da seleção iraniana em solo estadunidense, casos de racismo contra atletas e até profissionais da imprensa na chegada aos Estados Unidos e a deportação do árbitro somali, demonstrando as absurdas determinações do governo Donald Trump e colocando em xeque a decisão da Fifa em realizar os jogos em um país com política discriminatória e violenta contra estrangeiros.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o historiador Diogo Xavier avalia que a decisão da sede da Copa pela Fifa se deu por uma tentativa de expandir comercialmente os jogos. “É a tentativa da Fifa de expandir tanto a quantidade de seleções para que o seu maior torneio possa ser mais rentável, mais valorizado comercialmente e vendido para um público maior. Ao mesmo tempo, trata-se de uma Copa veiculada para mais países e que busca consolidar presença em um mercado que é o grande sonho da Fifa: os Estados Unidos. Desde 1994, a entidade sonha em fazer com que os estadunidenses se apaixonem pelo futebol. No entanto, muitos deles estão mais atentos às finais da NBA, com os Knicks chegando à decisão depois de muitos anos, do que à Copa do Mundo. Essa é uma realidade. Por um lado, portanto, há um objetivo comercial evidente. Por outro, a FIFA tenta vender a imagem de uma entidade acima da política. Mas isso é impossível. Basta lembrar que Gianni Infantino entregou a Donald Trump um suposto prêmio da paz, uma honraria amplamente vista como uma forma de agradá-lo politicamente”, afirma.

Xavier destaca que, pela primeira vez na história do mundial, os jogos acontecem em um país em conflito deflagrado. “No mesmo dia da abertura da Copa do Mundo, os Estados Unidos ameaçaram atacar o Irã. Seria a primeira vez na história que um país envolvido diretamente em um conflito militar sediaria uma Copa do Mundo. Isso é emblemático. Pode-se dizer que se trata de uma situação inédita. Nem mesmo nas Copas de 1934 e 1938 ocorreu algo semelhante”, pontua, em referência à realização da Copa na Itália na época de Mussolini.

“O governo Trump tem tentado utilizar a Copa como uma primeiro desviar o foco de todos esses escândalos que estão acontecendo. Segundo lugar, eles querem vender uma imagem para o mundo de um governo democrático, que fala com todo mundo. Na estreia dos Estados Unidos, por exemplo, hoje [nesta sexta-feira], ele [Trump] não vai ao estádio, mas mandou o Marco Rubio, que tem uma ligação muito mais direta com a comunidade latina. Isso também é uma tentativa do governo Trump de fazer um aceno para os latinos, porque na verdade são eles que gostam de futebol”, afirma.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter