Uma audiência pública vai acontecer na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta segunda-feira (15), às 18h, para denunciar a censura à exposição “Funk: um grito de ousadia e liberdade”, que estava em cartaz no Museu da Língua Portuguesa. Parlamentares da extrema direita atacaram a exposição desde quando ela foi inaugurada e o deputado Tenente Coimbra (PL-SP) chegou a acionar o Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a mostra.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Renata Prado, ativista, pedagoga e integrante da curadoria da exposição, afirma que extrema direita persegue uma manifestação legítima da cultura periférica brasileira. “Essa exposição serviu de bode expiatório da extrema direita para se utilizar de uma pauta de uma cultura legítima de jovens negros da periferia, para perseguir em nome de mídia. Infelizmente, a gente está passando por esse processo. A exposição ficou em cartaz desde 15 de novembro a 31 de maio, resultando na visita de 180 mil pessoas pelo pavilhão do Museu da Língua Portuguesa, fazendo com que essa exposição fosse a terceira maior da instituição após a reforma, depois que pegou fogo. O Museu da Língua Portuguesa tem um histórico de resistência, mas, nesse momento, a resistência desse museu não foi suficiente para entender o funk enquanto potência cultural e legítima para ocupar aquele espaço”, critica.
Prado comenta a tentativa de criminalização do funk e ressalta o componente racista nessa narrativa. “Todo tipo de cultura que envolve a negritude, consequentemente, será uma cultura que vai ser perseguida. O funk é uma cultura que aborda tudo que a sociedade enxerga como tabu. Dentro da musicalidade do funk, por exemplo, você vai ouvir músicas que vão falar de sexo, músicas que vão falar de poder paralelo, tem músicas que vão falar sobre tudo. E pra sociedade, isso é uma afronta”, explica.
“O que a sociedade não entende como afronta é deixar uma juventude vivendo à mercê da miséria. Eu acho que essa deveria ser a nossa maior preocupação, porque, enquanto jovem do funk está sem saneamento básico, sem escola, sem mercado de trabalho, sem acesso à cultura e lazer, está tudo bem. O problema é quando esse jovem começa a se organizar dentro das suas possibilidades. Porque o que é o baile funk é uma ocupação de território de ruas justamente porque o Estado não consegue garantir o que está na Constituição, que é cultura e lazer”, destaca a ativista.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
