Rússia e Ocidente

Chanceler russo diz que UE pode ‘entrar em colapso’ com possível adesão da Ucrânia ao bloco

Ministro de Putin afirma que a UE busca virar um bloco militar; Trump voltou a falar de um acordo para encerrar a guerra

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Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, na 22ª reunião anual do Clube Valdai de Discussão Internacional, em Sochi
Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, na 22ª reunião anual do Clube Valdai de Discussão Internacional, em Sochi | Crédito: Clube Valdai de Discussão Internacional

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta terça-feira (16) que a União Europeia poderia “simplesmente entrar em colapso” se a Ucrânia aderir ao bloco. A fala ocorreu durante uma coletiva de imprensa após uma reunião com o chanceler turco, Hakan Fidan.

“Do ponto de vista dos problemas internos da UE, talvez não seja uma má ideia a Ucrânia aderir, mas depois o bloco simplesmente entraria em colapso. Portanto, existem muitas tendências conflitantes”, afirmou.

A fala do ministro russo aconteceu no contexto da aprovação pela UE, na última segunda-feira (15), da abertura do primeiro grupo de negociações de adesão para a Ucrânia e a Moldávia. Denominado “Fundamentos” e considerado um elemento-chave do processo, o grupo discute temas como instituições democráticas e sistema judiciário.

Ao comentar a movimentação, o chanceler russo afirmou que a adesão da Ucrânia geraria problemas para a própria estrutura econômica da União Europeia, pois representaria uma recusa pelo bloco de uma economia multilateral.

De acordo com Serguei Lavrov, o bloco econômico está se esforçando para se tornar um bloco militar independente e “está construindo todas as suas estruturas de segurança contra a Rússia“.

“Se eles quiserem desmantelar sua estrutura econômica multilateral e se tornar um bloco militar, isso é um convite para grandes problemas. Mas, se eles simplesmente quiserem esquecer a economia, então [Volodymyr] Zelensky deveria ser convidado a participar”, destacou o chanceler russo.

“A inclusão da Ucrânia na União Europeia será, sem dúvida, explorada por aqueles que desejam militarizá-la, especialmente porque o próprio Zelensky afirmou repetidamente estar pronto para liderar as forças armadas europeias, e disse algo próximo a isso”, acrescentou Lavrov.

Trump renova interesse na Ucrânia

O presidente dos EUA, Donald Trump, após uma reunião com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, às margens da reunião do G7, lamentou a “grande antipatia” entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia. Ele afirmou que isso dificulta a obtenção de um acordo e prometeu fazer o que estiver ao seu alcance para que avanços sejam alcançados.

Donald Trump ressaltou que Moscou “deveria fazer um acordo” para resolver a guerra, observando que o país “perdeu muitas pessoas, assim como a Ucrânia”.

O presidente Donald Trump, que há muito tempo não aborda a questão da paz na Ucrânia, declarou na cúpula do G7 nesta terça-feira que, depois do Irã, estará pronto para retomar as conversações sobre guerra, que ele acreditava ser a mais fácil de encerrar.

Durante a reunião entre os líderes do G7, que incluiu EUA, Japão, França, Canadá, Reino Unido, Itália e Alemanha, as partes concordaram em intensificar as sanções contra o setor energético russo. Fora o 21º pacote de sanções que a UE vem desenvolvendo contra Moscou, poucos detalhes foram dados sobre medidas concretas para aumentar a pressão sobre a Rússia.

Ao comentar as perspectivas de negociação com a Ucrânia, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, reforçou que “para que um acordo seja sustentável, de longo prazo e confiável, é necessário abordar as causas profundas desta crise”.

Ao mesmo tempo, o chanceler russo aproveitou para criticar a forma com que Volodymyr Zelensky vem se manifestando em relação a Moscou, afirmando que ele está praticando “diplomacia de megafone”. De acordo com Lavrov, o líder ucraniano claramente demonstrou isso com sua recente “mensagem grosseira” ao líder russo Vladimir Putin, “transmitida” por meio de uma publicação na mídia.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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