HOMENAGEM E LEGADO

Pernambuco decreta luto oficial de três dias pela morte do escritor Raimundo Carrero

Raimundo Carrero foi um dos mais importantes nomes da literatura pernambucana, deixando legado de obras e formação

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Raimundo Carrero faleceu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos
Raimundo Carrero faleceu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos | Crédito: Jan Ribeiro/Fundarpe

Aos 78 anos, partiu um dos nomes mais incontornáveis da literatura pernambucana e brasileira. Raimundo Carrero faleceu na madrugada desta terça-feira (16), em decorrência de um câncer, deixando um legado em romances, contos, crônicas, crítica literária e formação de novos escritores. Ligado também ao Movimento Armorial, ao lado de Ariano Suassuna, Carrero era dono de um estilo literário de ritmo afiado e densa substância narrativa.

É autor de obras como “O Bordado, a Pantera Negra”, um marco armorial, além de romances marcantes como “A História de Bernarda Soledade, a Tigre do Sertão” e “Somos Pedras que se Consomem”, além de “As Sombrias Ruínas da Alma”, vencedor do Prêmio Jabuti de Contos e Crônicas em 2000. Foi decretado um luto oficial de três dias em Pernambuco por sua partida.

Raimundo Carrero nasceu em Salgueiro, Sertão de Pernambuco, e se mudou ainda na adolescência para o Recife. Formou-se em Ciências Sociais pela UFPE e atuou como jornalista, trabalhando por 25 anos no Diario de Pernambuco. Por lá, criou a história da Perna Cabeluda, cravada no imaginário pernambucano, que recentemente ganhou o mundo quando projetada no filme “O Agente Secreto”. Nos anos 1970, torna-se parte ativa da construção do Movimento Armorial em sua busca pela conciliação entre a escrita dita erudita com a tradição oral e popular nordestina. 

O escritor também atuou na política cultural institucional, presidindo a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), sendo também presidente da seção pernambucana da União Brasileira de Escritores. Em 1989, funda sua Oficina de Criação Literária, uma das mais prolíficas iniciativas de formação de jovens escritores no Recife. Também ocupou a cadeira número três da Academia Pernambucana de Letras desde 2005. Em 2010, sofreu um AVC, apresentando uma série de comorbidades, mas ainda se mantendo ativo em seus projetos. 

REPERCUSSÃO

Ao longo da manhã, autoridades e instituições ligadas à trajetória de Raimundo Carrero lamentaram sua partida. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, decretou luto oficial de três dias no estado. “A minha solidariedade à família, amigos e inúmeros leitores neste momento de despedida. A escrita de Carrero jamais será esquecida. O seu legado também”, declarou Lyra. 

A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, órgão estadual do qual Carrero já foi presidente, lançou uma nota de pesar por meio de suas redes sociais. “(…) deu voz às inquietações, aos conflitos e às grandezas de um sertão que transcende a geografia. Sua partida deixa uma lacuna imensa nas letras brasileiras, mas sua obra permanecerá como patrimônio da nossa memória cultural. Toda nossa solidariedade aos familiares e amigos deste grande mestre da literatura”, afirmou a instituição. 

Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria de Cultura do Recife e a Fundação de Cultura da Cidade do Recife lamentam sua morte e o “silêncio de sua literatura de tantos predicados, que celebrou e ajudou a inventar o Nordeste”. Já a Academia Pernambucana de Letras, onde o escritor ocupava a cadeira de número três, despediu-se, reforçando se tratar de “um dos mais importantes escritores pernambucanos de sua geração”. A instituição, localizada no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, receberá o velório do autor. Também lançaram notas de pesar instituições ligadas à sua trajetória, como a Fundação Joaquim Nabuco, a Universidade Federal de Pernambuco e o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco.

Editado por: Rostand Tiago

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