'não vou me meter'

‘Trump não quer estar ao lado de perdedores’, afirma especialista sobre aceno do republicano a Lula

Para internacionalista Jana Silverman, reconhecimento mundial da vitória de Lula impede criação de um novo Juan Guaidó

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. | Crédito: Jim Watson/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que quer conversar com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas reforçou críticas vagas ao processo eleitoral brasileiro. A declaração acontece um dia depois de o líder estadunidense ser questionado sobre a presença de Flávio Bolsonaro nos EUA, que, de lá, enviou uma carta golpista se autointitulando “presidente eleito”. Trump disse simplesmente: “Não vou me envolver”.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Jana Silverman, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), diz que há algumas formas de avaliar a conduta de Trump. A entrevistada destaca que o presidente dos EUA “não é bobo”. Por essa razão, destaca Silverman, o republicano pediu a Flávio a edição da primeira versão da carta, retirando o trecho de “presidente eleito”.

“Ele aprendeu com o erro do primeiro mandato, que foi o fracasso do projeto de Juan Guaidó. Ele não tem condições políticas de sustentar um Juan Guaidó brasileiro”, afirma. “A vitória do Lula foi muito contundente. Não há qualquer prova de fraude. E é uma eleição em que aliados de Trump, como Abelardo de La Espriella, já reconheceram a vitória de Lula”, reforça.

Sobre o fato de Trump ter aberto diálogo com Lula mas manter a suspeição sobre o processo eleitoral, Jana Silverman lembra que essa é uma conduta comum da extrema direita. “Quando o resultado democrático nas urnas não é do seu agrado, ele não reconhece. Vai totalmente no padrão político que já está estabelecido”, afirma.

Além disso, a analista observa que há muita coisa em jogo, inclusive na relação entre Brasil e EUA, e ressalta que Trump nunca gostou de estar aliado a perdedores. “Trump tem essa característica pessoal de querer estar ao lado de ganhadores e já falou que gosta de Lula. Além disso, a relação comercial entre EUA e Brasil é ainda muito importante. Vamos lembrar que a maior fornecedora de carnes nos EUA é a JBS. Tem interesses fortes que vão além de questões ideológicas”, argumenta. “O interesse de Trump é ser reconhecido como líder mundial e fortalecer seus interesses empresariais”, resume.

Na próxima terça-feira (3), os eleitores estadunidenses vão às urnas para a eleição de meio de mandato. A situação de Flávio e o impasse diplomático com o Brasil, na avaliação de Silverman, não vai impactar a decisão. “A política externa tem pouco impacto nas decisões dos cidadãos norte-americanos, assim como acontece no Brasil. O que vai mais impactar é a questão econômica interna, com destaque ao preço do petróleo por causa da guerra contra o Irã”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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