Quem precisa de atendimento em Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou em saúde mental na capital do Paraná está condenado a uma espera angustiante. Em Curitiba, as famílias com filhos com deficiência esperam por anos a fio sem conseguir um diagnóstico na rede municipal de saúde (e quando conseguem, não recebem acompanhamento médico adequado).
Em 2017, o Ambulatório Encantar, dedicado ao tratamento de saúde mental e TEA para crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, atendia 600 curitibinhas, segundo a Prefeitura. Hoje, o Encantar recebe pacientes até 14 anos, diminuindo a linha de corte por idade sem justificativa e sem atualizar informações sobre a população atendida.
O silêncio da Prefeitura esconde uma realidade revoltante, já que Curitiba tem uma fila de espera com mais de 2 mil crianças aguardando diagnóstico TEA na rede pública. Crianças que precisam de um parecer médico, mas que têm seu tratamento impedido porque a gestão não disponibiliza neurologistas.
Em agosto de 2022, a própria Prefeitura informava que a espera por um diagnóstico era de dois anos. Hoje, tenho recebido relatos de uma espera ainda maior, de até três anos.
Quando as famílias conseguem o diagnóstico de seus filhos, o perrengue muda de fase. O que chamam de atendimento especializado é na verdade só uma consulta por mês. E uma consulta por mês não oferece apoio adequado.
Estamos falando de milhares de famílias sem acesso à saúde. E quando levanto o tema dentro da Câmara Municipal, ouço dos colegas vereadores amigos do prefeito que a saúde vai às mil maravilhas. Imagine você ter um filho sofrendo e ouvir de quem deveria resolver isso que “em Curitiba não acontece”. A saúde está sendo tratada com deboche e mentiras. E isso, como médica, fica difícil de engolir.
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