Imagine uma série onde o personagem principal não é uma pessoa, mas sim a rua. Essa é a proposta do canal “Conto a Rua”, que estreou em maio desse ano no YouTube. De episódio em episódio, cada um com cerca de cinco minutos, a série de vídeos conta histórias de pessoas da Baixada Fluminense e da zona oeste que se relacionam de alguma forma com a rua, através do trabalho, da família, entre outros motivos.
Tudo começou no Sarau V, o primeiro sarau cultural da Baixada Fluminense, realizado em 2013. O evento despertou nos idealizadores da série o desejo de ouvir aqueles que ocupam a rua, mas permanecem anônimos, como mototaxistas e vendedores ambulantes.
A partir disso, a produtora cultural Janaina Tavares, de 24 anos, uniu-se à videomaker Kathleen Ferreira, de 25, e ao fotógrafo Oziel Marchon, de 24. Janaina é de Nova Iguaçu, Kathleen é de Queimados e Oziel, de Senador Camará.
A série, que já tem quatro episódios no YouTube, promete uma temporada com 13 histórias. Toda terça-feira tem vídeo novo. O resultado desse trabalho será um e-book (livro na internet) e um documentário.
Um dos vídeos conta a história de Tamara, uma animada locutora de loja de 19 anos que sonha ser professora de História. Moradora de Bangu, ela conta que sempre teve uma relação com a rua porque joga bola desde criança no campo do bairro. “Hoje é triste falar, mas alguns dos meus amigos se foram, outros se perderam na vida. Eu ainda estou aqui lutando para conquistar algo melhor”, diz ela.
Outro episódio conta a história da ex-garota de programa Julia, de 25 anos. Julia é transexual e fala sobre sua dificuldade de encontrar emprego. “A rua me ensinou os tipos de olhares: como uma pessoa te olha com preconceito ou quando ela realmente te acha bonita”, conta.
Para a idealizadora Janaina Tavares, a rua é protagonista da série porque significa a sobrevivência e a memória dessas pessoas. “É interessante essa relação de afeto dessas pessoas com a rua e o quanto a rua é importante para seu sustento”, diz a produtora. “É meio poético, mas quando falamos de gente e suas memórias, estamos falando também de poesia”, finaliza.