Janeiro de 2025 entrou para a história como o mês mais quente já registrado, sucedendo o ano mais quente da história. O planeta está fervendo, e os responsáveis por essa catástrofe continuam lucrando com a crise climática. O modelo predatório do setor agro-hidro-mineral, sustentado pelo capitalismo financeirista, nos empurra década após década para o ponto de não retorno.
Enquanto a concentração de terras e a destruição ambiental avançam, vemos crescer os extremos climáticos: enchentes devastadoras, secas prolongadas e queimadas que reduzem nossa biodiversidade a cinzas. Esse cenário compromete a produção de alimentos, provoca alta nos preços e agrava ainda mais a insegurança alimentar.
A crise climática não é um fenômeno isolado. Ela é resultado de um sistema econômico que privilegia poucos em detrimento de muitos. E no Brasil, isso se reflete diretamente no modelo agrícola dominante: enquanto pequenos produtores agroecológicos lutam para produzir alimentos saudáveis e sustentáveis, o agronegócio segue desmatando, envenenando a terra com agrotóxicos e concentrando terras para monoculturas que não alimentam a população.
A cada momento, novos estudos descortinam os riscos e perigos da destruição planetária: oncologistas apontam a relação entre o aumento da exposição ao calor extremo, à poluição do ar e aos raios ultravioleta e a escalada de casos de alguns tipos de câncer.
É urgente que o estado do Rio de Janeiro e todo o Brasil adotem medidas concretas para enfrentar essa crise. Isso passa por cumprir e fortalecer leis ambientais já existentes, como a Política Estadual de Adaptação Climática e o Inventário de Emissões, que seguem ignorados.
Mas não basta apenas mitigar danos. Precisamos de uma transformação estrutural no campo, e a resposta está na reforma agrária e na agroecologia. Enquanto o latifúndio monocultor causa secas, a agroecologia não só protege o meio ambiente e a biodiversidade, mas também regenera o solo, combate a crise climática e garante segurança alimentar para a população. Ela demonstra, na prática, que o “agro pop” não é sinônimo de progresso, mas de desigualdade, crise e morte.
Sem uma mudança radical no modelo agrícola, seguiremos condenados a tragédias ambientais e sociais cada vez mais intensas. É hora de fazer escolhas políticas que coloquem a vida acima do lucro.
*Marina do MST é deputada estadual pelo PT do Rio de Janeiro
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.