A Justiça do Rio de Janeiro determinou, na última terça-feira (25), a soltura do universitário Igor Melo de Carvalho, de 32 anos, e do motorista de aplicativo Thiago Marques de Carvalho. Ambos foram atacados a tiros pelo policial militar reformado Carlos Alberto de Jesus na madrugada de segunda-feira (24) no Viaduto João XXIII, na Penha, zona norte do Rio. Ele e a esposa acusaram Igor e Thiago de um roubo que não cometeram.
A juíza Rachel Assad da Cunha afirmou na decisão que as provas no processo indicam que os acusados foram confundidos com os verdadeiros assaltantes.
“Todas as informações indicam que tanto Carlos Alberto quanto Josilene teriam confundido os ora custodiados com os supostos autores do crime de roubo, de forma que os indícios de autoria restam totalmente esvaziados”, destacou a juíza.
De acordo com o relato dos familiares, comprovado por imagens de uma câmera de segurança, Igor pediu uma moto por aplicativo para voltar da casa de samba Batuq, onde é garçom aos finais de semana, para a sua residência. O trajeto era de um pouco mais de 10km, da Rua Belizário Pena, na Penha, onde a casa de samba fica até o bairro do Turiaçu, residência de Igor. O estudante de Publicidade e Propaganda percebeu que um carro estava seguindo a moto e logo depois disparos começaram a ser efetuados. Igor foi atingido e caiu da motocicleta. Mesmo ferido, ele conseguiu ligar para colegas do trabalho que o socorreram.
Antes da família chegar o Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde o jovem de 32 anos está internado, uma mulher compareceu à unidade de saúde e disse que Igor era o suposto assaltante que tentou roubá-la. A alegação fez com que o responsável pela página esportiva “Informe Botafogo”, no Instagram, ficasse sob custódia.
Racismo
“Não há nada que desabone a conduta do meu primo. A família pede justiça por Igor e por todos os homens, mulheres e jovens negros que são alvo por conta da sua cor da pele, da sua condição social e do lugar onde moram. Meu primo é um trabalhador”, afirma a historiadora Pâmela Carvalho.
Carlos Alberto de Jesus alegou que teria agido após a esposa ter reconhecido o condutor da moto como um dos responsáveis pelo roubo do seu celular.
Igor é pai, trabalha em três empregos: atua como inspetor do Centro Universitário Celso Lisboa, onde estuda, e para complementar a renda, trabalha aos finais de semana como garçom e também é ambulante no carnaval. O estudante perdeu um rim com o tiro e encontra-se em estado de saúde grave, segundo o hospital.