O simbolismo do báculo do bispo também foi ressignificado na diocese de Santa Cruz do Sul a partir da chegada do novo bispo, Dom Itacir Brassiani. A peça, que representa o cajado do pastor, foi esculpido a partir da viga de uma capela destruída pela enchente na paróquia de Arroio do Meio.

O objeto deixou de ter apenas o significado de liderança, passou a ser símbolo de fé, resiliência e resistência. “Essa madeira traz consigo a memória de tudo o que aconteceu no Vale do Taquari”, conta o bispo que teve sua nomeação informada pelo Papa Francisco pouco antes do começo das inundações.
“Desde que eu confirmei a minha resposta e começaram as enchentes, eu comecei a me perguntar: meu Deus, o que isto significa para mim e o que essa diocese necessita de mim, com tanta dor e com tanto sofrimento”, contou em publicação da CNBB.

Outro detalhe, não menos significativo, é o anel episcopal. Ele não é feito de ouro ou qualquer outro metal nobre. Produzido por amigos artesãos, o anel de Dom Itacir é feito de tucum (palmeira amazônica), popularizado pelas pessoas de fé que fazem a opção de caminhar entre os pequenos, os simples, os pobres e os marginalizados.
Dom Itacir foi ordenado e tomou posse no dia 29 de setembro como o quinto bispo diocesano de Santa Cruz do Sul, em meio aos desafios de reconstrução do território onde mais de 40 cidades foram atingidas.

Esta materia faz parte de edição especial impressa do jornal Brasil de Fato RS sobre a Romaria da Terra. Clique aqui para baixar a edição na íntegra.
