Adriana Dantas

Adriana Dantas é educadora popular e associada da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

Dos golpes à reconstrução: uma década em minutos no desfile da Acadêmicos de Niterói

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Acadêmicos de Niterói homenageia o presidente Lula no Carnaval 2026
Acadêmicos de Niterói homenageia o presidente Lula no Carnaval 2026 | Crédito: Alex Ferro | Riotur

Estou falando da relação umbilical entre história e política

O sentimento que tive ao ver a apresentação da comissão de frente da Acadêmicos de Niterói não foi apenas sobre as voltas que a política deu para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subisse novamente a rampa do Planalto. Em poucos minutos, vimos dez anos passarem diante de nossos olhos, como se tivéssemos acessado um túnel do tempo para observar o encontro entre passado e presente através de uma lupa.

No dia seguinte, ao assistir às matérias na mídia tradicional sobre o desfile, o destaque recaiu sobre as dez ações movidas contra a escola para impedir a apresentação sobre a trajetória de Lula. Por outro lado, nos depoimentos vindos das mídias alternativas e dos artistas participantes, o sentimento era de alegria, emoção e pertencimento.

Muitos se viram na história contada; percepção compartilhada pelo público, que reagiu cantando, chorando e clamando: “Sem Anistia!”

O elemento central usado pela comissão para demonstrar as decisões tomadas e a passagem do tempo foi a faixa presidencial. Vimos sua trajetória: ora sendo usurpada, ora tratada como mero pedaço de pano ou simplesmente não sendo transmitida. Ao final, a imagem da faixa saindo das mãos de uma mulher para retomar seu lugar de importância política simbolizou a força da democracia.

Por curiosidade, a faixa foi criada em 1910 por Hermes da Fonseca. É interessante notar que, ao longo da história, ao menos dez presidentes não a receberam das mãos de seus antecessores devido a mortes, vacâncias ou golpes. Além disso, em 2016, houve uma investigação sobre o desaparecimento de diversos itens do Planalto, incluindo a faixa e seu broche de ouro e diamantes, que foi posteriormente encontrado embaixo de um armário do cerimonial.

No período de 2016 a 2026, sobrevivemos a um governo que, embora curto, subtraiu inúmeros direitos da classe trabalhadora e abriu caminho para os estragos de seu sucessor.

Sobrevivemos ainda ao “inominável”, que destruiu políticas assistenciais, educacionais e de saúde, deixando como legado o incentivo à violência contra as mulheres e em torno de 700 mil mortes pela covid no Brasil. E ainda estamos sobrevivendo a uma reconstrução constantemente ameaçada.

Você que lê esta coluna, tenha certeza: somos sobreviventes!

A importância de valorizarmos a história é que os fascistas tentam reescrevê-la para que ela se repita de maneiras equivocadas, como tentaram com a Vaza Jato e agora buscam com outros artifícios. Mas o que eles ignoram é que, quando a história é bem contada, nós aprendemos que ela é dinâmica.

As repetições servem para o aprendizado, não como determinantes de uma história mal contada. Nisso, ressalto a importância da comunicação independente, popular, de compromisso com a verdade, e que precisa estar cada vez mais perto do povo!

*Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato DF.

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Editado por: Clivia Mesquita

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