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A ADUnB é a Associação de Docentes da Universidade de Brasília, fundada em 1978 e desde então lutando e sendo uma principais resistências pela manutenção do ensino superior público de qualidade no país.

Com juros altos, poucos lucram, todos perdem

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Centrais sindicais promovem atos contra juros altos em Brasília e outras capitais brasileiras | Crédito: CUT

O cenário da alta de juros é bom apenas para a parcela mais rica do país

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, conforme expectativa do mercado. Isso acontece em meio a pressões do governo federal, sindicatos, partidos políticos, organizações não governamentais e movimentos sociais, que pedem a diminuição  da taxa de juros que tem afetado a economia do país. 

Com este cenário, o Brasil continua liderando, pela quarta vez consecutiva, o ranking de países que têm  juros  reais mais altos do mundo, seguido por México, Chile, Filipinas e Indonésia, respectivamente. A informação é de um levantamento da gestora Infinity Asset Management que compila dados das 40 principais economias globais. 

Mas afinal, a política econômica impacta a vida das pessoas no cotidiano? Obviamente sim, os juros altos impactam a vida de toda população, especialmente os mais pobres.

Com juros altos, a população não consegue comprar uma casa, uma televisão porque ao final das prestações, paga 2 casas, 2 televisões. A taxa de juros determina o valor dos juros que a população deverá pagar ou receber. Com isso, o nível de desemprego da população tende a subir, reduzindo a renda das famílias e, consequentemente, seu poder de consumo, o que impacta também na receita e na produtividade das empresas.

O cenário da alta de juros é bom apenas para a parcela mais rica do país, que representa 1% ou para quem lucra com ele. Com a taxa mais alta, o Governo Federal tem que dispor de mais recursos para pagar mais aos investidores. Recursos esses que poderiam ser destinados a áreas sociais, por exemplo. 

O aumento da taxa de juros só se justifica para controlar a inflação do país. Quando o Banco Central quer reduzir a inflação, ele aumenta a Taxa Selic porque, assim, aumentará o “custo” do dinheiro. Com isso, fica mais caro pegar empréstimos, fazer financiamentos e consumir. A redução do consumo força uma redução da inflação. Entretanto, o que tem se visto é que a inflação já está diminuindo ao longo do tempo, mas ainda assim, a taxa de juros não baixou.

Para que esta conjuntura seja capaz de mudar, a pressão deve ser de articulação política e assim, será possível que o Governo mantenha, inclusive, os compromissos econômicos feitos com a população. 

É preciso fortalecer a campanha nacional contra os juros abusivos, mobilizada por diversas entidades e organizações sindicais. Lutar contra juros altos é uma forma de assegurar melhor poder de compra e sobrevivência da população, especialmente a mais pobre e assim diminuir as desigualdades.

Depois de quatro anos de governo Bolsonaro e  de derrocada na economia, o Brasil precisa de uma política monetária que priorize a retomada de investimentos, o crescimento da economia e a geração de empregos para melhorar a vida do povo brasileiro.

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*Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB – S. Sind. do ANDES-SN)

**Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.

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Editado por: Márcia Silva

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