O governo Zema tenta vender a Copasa e prepara o terreno para atacar a Cemig. O discurso é sempre o mesmo, “responsabilidade fiscal”, “aderir ao PROPAG”, “resolver a dívida com a União”. Mas a verdade nua e crua é que quem lucra são os acionistas estrangeiros, e quem paga a conta é o povo mineiro.
A jogada é velha, desgastar a estatal, espalhar a sensação de que o serviço não funciona, e apresentar a venda como solução mágica. A população mineira sabe bem do que estamos falando. Basta lembrar das recentes reclamações de água com gosto e cheiro de mofo, falhas, suspeitíssimas, usadas para reforçar a narrativa da “ineficiência” da Copasa justamente na semana em que a proposta de privatização volta à pauta da Assembleia.
Mas o truque não é invenção mineira. São Paulo que o diga. A Sabesp, equivalente paulista da Copasa, foi privatizada e, desde então, as tarifas dispararam, a qualidade da água e do atendimento piorou e os lucros foram parar nas mãos de fundos internacionais. No Rio de Janeiro, a Cedae foi vendida sob a promessa de modernização e universalização; hoje, comunidades inteiras convivem com abastecimento precário, e os contratos são contestados na Justiça.
Agora querem repetir a mesma receita em Minas. A Copasa, avaliada em R$ 4 bilhões, seria vendida para abater uma dívida de R$ 170 bilhões. É como vender a casa para pagar a fatura do cartão. O dinheiro evapora, a dívida continua e o povo perde patrimônio estratégico. Depois virá a Cemig, a joia da coroa, que o governo só adiou porque sabe que a resistência popular é muito maior.
É importante lembrar que, pela Constituição de Minas Gerais, a venda de empresas estatais como a Copasa e a Cemig só pode ser feita mediante referendo popular. Ou seja o povo mineiro tem direito de ser consultado diretamente nas urnas. Tentar atropelar esse princípio é fraudar a democracia e transformar uma decisão histórica em negócio de gabinete. Se querem vender, que perguntem ao povo, e a resposta já se conhece. Minas Gerais não aceita entregar sua água e sua energia.
A privatização transforma direitos básicos em mercadoria. Quem compra? Fundos e acionistas estrangeiros. Quem perde? O trabalhador que vai pagar mais caro pela água e pela energia, o agricultor que verá sua produção encarecer, a dona de casa que terá de escolher entre a conta e a comida.
Minas não precisa vender sua água para aderir ao PROPAG. A Codemig tem valor de mercado suficiente para garantir a contrapartida exigida. A escolha da privatização não é financeira, é política. É a mesma lógica da caixa-preta das isenções fiscais, que distribuiu bilhões a amigos do poder enquanto faltam investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
Água e energia são direitos, não mercadorias. O povo mineiro não pode aceitar ser enganado mais uma vez. A luta contra a privatização da Copasa e da Cemig é a luta pela soberania de Minas, pela vida digna de quem abre a torneira e acende a luz todos os dias.
Andreia de Jesus (PT) é educadora popular, advogada, mãe solo e deputada estadual em Minas Gerais
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Este é um artigo de opinião, a visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato

