Olá, a pressa do governo em aprovar matérias no Congresso esbarra no tempo curto e no escândalo do Banco Master.
.Equação impossível. Além do bronzeado, os congressistas voltaram do recesso com uma longa lista de pendências para resolver. Em seu discurso na abertura do ano Legislativo, Lula fez questão de apontar suas prioridades. O foco do Planalto deve ser a política social e trabalhista, seguindo o caminho aberto pela isenção do Imposto de Renda, já que a popularidade do governo segue estabilizada, mas não a ponto de dar descanso até as eleições de outubro.Depois da aprovação do Programa Gás do Povo no Senado, o governo deve focar no fim da escala 6 x 1 e na regulamentação do trabalho por aplicativo. Na lista, há ainda o PL Anti Fação e a PEC da Segurança Pública, que podem contribuir para enfraquecer o monopólio da direita num tema com forte apelo eleitoral. E nada como um bom jantar para azeitar as relações com o Congresso e deixar para trás as desavenças do passado. Porém, nenhuma das matérias promete ter tramitação fácil. No caso da escala 6 X 1 e dos trabalhadores por APPs, a maior resistência vem do empresariado, enquanto as medidas na área de segurança pública esbarram nos interesses da direita e das PMs estaduais. Há ainda as matérias relativas ao equilíbrio fiscal que o Senado pretende enfrentar e que visam resolver um problema que o próprio Congresso ajudou a impulsionar quando aumentou seu quinhão do orçamento público, e que tende a se agravar com a reformulação das carreiras dos servidores do Legislativo. O caminho, já apontado pelo Planalto, seria a taxação das BETs e das fintechs, mas, neste caso, os interesses a serem enfrentados também são grandes e afetam a celeridade do processo. Lula ainda sonha em acabar seu mandato atual com a aprovação do acordo do Mercosul com a União Européia pelo Congresso, assunto que já ganhou ares de novela que não quer terminar. E o Senado também pretende mostrar serviço no combate aos maus-tratos contra os animais que ganhou repercussão na sociedade depois da morte do cão Orelha. Isso para não falar do fantasma do Projeto da Dosimetria, a versão light da anistia aos golpistas, aprovado pelo Congresso mas vetado por Lula, e que agora precisa ser novamente apreciado pela Câmara. Ufa! Tudo isso antes que todas as atenções estejam voltadas para as eleições. Alguém acredita que vai dar tempo?
.A hidra da Faria Lima. Quanto mais se aprofundam as investigações, mais fica evidente que havia muito pouco de real e de legal no Banco Master. Numa ponta, o patrimônio que o banco dizia ter vinha, na verdade, de operações imobiliárias ilegais, descontos indevidos de aposentados e venda de papéis falsos para o BRB. Tudo isso turbinado pela especulação financeira, com a promessa de resultados fantasiosos, e acontecendo livremente debaixo dos olhos do então presidente do BC, Campos Neto. Outra fonte para dar algum lastro ao esquema era obrigar politicamente governos e previdências públicas a colocar dinheiro no banco fake. Na outra ponta, toda esta dinheirama, além de sustentar a ostentação e a rede de influência do banqueiro Daniel Vorcaro, servia como esquema de lavagem de dinheiro. Por isso mesmo, as investigações sobre o caso são um tema sensível que pode afetar os rumos da política. Enquanto setores da oposição, especialmente o PP e a União Brasil, estão comprometidos até a alma com Vorcaro, parte do PL e a turma do MBL e do Novo insistem em levar adiante uma CPI do Master e sonham em convocar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ou seus familiares, a dar explicações no Congresso. O que, aliás, pode acabar acontecendo por via da CPI do Crime Organizado. O governo calcula como lidar com um assunto tão delicado, e defende o aprofundamento das investigações sem dar palanque para a oposição. Uma parte da bancada do PT resolveu apoiar a criação da CPI, até para não ficar de fora caso ela saia do papel. A estratégia governista é mirar no governo do DF e na participação do BRB na fraude. Mas o apoio seria mais protocolar que sincero, e deve prevalecer o “deixa pra lá” puxado pelo centrão. Afinal, um tiroteio generalizado pode ser ruim para todo mundo e talvez prevaleça um acordo de cavalheiros parecido com aquele que ocorreu esta semana na CPI do INSS, onde, depois de uma escalada de tensões entre governistas e bolsonaristas, ninguém chamou ninguém para depor.
.Ponto Final: nossas recomendações.
.Regime de controle. No Phenomenal World, Michael Macher analisa em detalhes a política migratória do governo Trump e seu caráter repressivo.
.Deputados da comissão da IA atuaram em prol de ‘big techs’ após visitas de lobistas. Lobistas fizeram ao menos 83 visitas para tentar barrar o PL n° 2.338 de 2023 que propõe a regulação das big techs.
.Terras raras: A estratégia que falta ao Brasil. No Outras Palavras, Edna Aparecida da Silva analisa o conflito estratégico entre Estados Unidos e China em torno das terras raras.
.“Nossa fé é em Jesus, e não nos líderes religiosos” diz Andressa Oliveira, membro do primeiro Comitê de Evangélicas da Marcha das Mulheres Negras. Associação de mulheres revela uma fé baseada nas batalhas cotidianas. No GN.
.Cão Orelha: porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes. Amanda Audi analisa o papel da internet e das redes sociais na nova onda de zoosadismo. Na Pública.
.José Martí inspirou a luta de Cuba pela verdadeira independência. Na Jacobina, Antoni Kapcia resenha novo livro com coletânea de textos do herói cubano.
*Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.
** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

