Brasil Popular

A coluna do Movimento Brasil Popular é publicada quinzenalmente às quartas-feiras. Escrita por militantes do movimento de todo o Brasil, ela aborda temas relacionados à política brasileira, luta ideológica e os desafios da esquerda na organização popular.

Unidade popular para derrotar o neofascismo e operar mudanças profundas no Brasil

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Plenária Nacional Elza Soares aconteceu na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP)
Plenária Nacional Elza Soares aconteceu na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP) | Crédito: Júnior Lima/Movimento Brasil Popular

Plenária do Movimento Brasil Popular reuniu 300 pessoas de todo o país para debater táticas de combate à extrema direita

Entre os dias 2 e 4 de maio, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), o  Movimento Brasil Popular reuniu 300 delegados e delegadas de 20 estados e do Distrito Federal na Plenária Nacional Elza Soares.

A plenária foi o primeiro encontro nacional após a fundação de nossa organização, em março de 2022. Durante três dias, estivemos reunidos para formular e aprofundar o balanço político de nossa construção até aqui. No centro de nossas reflexões esteve o aprofundamento da análise de conjuntura, compreendendo os desafios colocados à esquerda brasileira no contexto atual, sendo o principal deles o combate ao neofascismo. Nesse artigo, baseado na carta política da nossa plenária, fizemos uma síntese dos principais debates que permearam nosso encontro.  

A vitória de Lula em 2022, embora nos coloque em condições mais favoráveis para o trabalho político, ainda conserva os limites impostos pela expressiva concentração de poder no Congresso Nacional, composto em ampla maioria pela direita e extrema direita. Essa condição, somada às dificuldades de construção da frente popular no interior da frente ampla, vem comprometendo nossa capacidade de disputar o governo Lula. Além disso, as consequências econômicas advindas do arcabouço fiscal nos trazem dois anos depois a um governo com índices de aprovação cada vez mais fragilizados. 

As eleições municipais de 2024 demonstraram que a extrema direita segue viva e se capilarizando em cidades de pequeno e médio porte, podendo assim construir bases mais sólidas para um possível retorno em 2026.

Diante desse cenário, o governo precisa fazer acenos para a base social que o elegeu, estancando a desaprovação e garantindo um melhor terreno para a necessária reeleição de Lula. Além das sinalizações que precisam vir do governo federal, entendemos a necessidade urgente de um reposicionamento estratégico da esquerda brasileira, que deve assumir a tarefa de reorganizar a base social do campo popular, disputar os rumos do país e construir um projeto político que enfrente de fato as raízes das desigualdades. 

O Movimento Brasil Popular reafirma sua estratégia de construção da unidade popular em torno de um programa de mudanças profundas na política e na economia do país. Essa é a principal tarefa política e organizativa do nosso movimento: articular lutas concretas com um projeto de transformação nacional que enfrente os privilégios do capital e das elites dominantes, o Projeto Popular para o Brasil.

A plenária apontou com clareza os desafios para o próximo período. Entre eles, destacamos: a necessidade de aprofundar nosso enraizamento nos territórios; a construção de instrumentos de formação e comunicação popular; o fortalecimento das alianças com os demais movimentos sociais e partidos da classe trabalhadora; além da mobilização popular em torno de pautas que dialoguem com a vida concreta do povo.

Como expressão concreta desse caminho, definimos que a ação prioritária da nossa organização em 2025 será a construção do Plebiscito Popular, levantando quatro bandeiras fundamentais: fim da escala 6×1, que impõe jornadas exaustivas e desumanas à classe trabalhadora; redução da jornada de trabalho, sem redução de salários; taxação sobre a renda dos super-ricos, combatendo a injustiça tributária; isenção do Imposto de Renda para os mais pobres, garantindo justiça fiscal e alívio para quem vive do trabalho.

A plenária demonstrou grande unidade da esquerda em torno dessa proposta. No ato político da plenária, dezenas de dirigentes de partidos, centrais sindicais, movimentos sociais e organizações populares expressaram apoio ao plebiscito como principal ação de massas do próximo período. O plebiscito é, ao mesmo tempo, um instrumento de mobilização e de formação política, e uma oportunidade para dialogarmos com milhões de brasileiros e brasileiras sobre o país que queremos construir.

A 1ª Plenária Nacional Elza Soares foi mais que um momento de reflexão: foi um marco na consolidação do Movimento Brasil Popular como uma força viva da luta popular. Saímos deste encontro com mais clareza política, unidade estratégica e disposição para seguir organizando, formando e mobilizando nosso povo.

Editado por: Nicolau Soares

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