Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.
Pergunta: Deputado Hugo Motta, estamos aqui para falar sobre a PEC da Blindagem, ou melhor, sobre o enterro dela. Como o senhor se sente sendo o coveiro dessa proposta?
Hugo Motta: Olha, inicialmente, quero dizer que respeito a voz das ruas. Sempre respeitei. Inclusive, se tiver outra manifestação contra mim amanhã, vou ser o primeira a ir e protestar.
P: Interessante. Mas o povo claramente está revoltado com sua tentativa de blindagem parlamentar.
HM: Veja bem, eu mesmo já estava revoltado com a PEC! Só não falei antes porque eu não queria estragar a surpresa. A democracia precisa de povo na rua, e eu dei isso ao povo: o prazer de se encontrar, falar de política. Isso é um presente.
P: O senhor então é contra a PEC que o senhor mesmo apoiou?
HM: Eu fui contra apoiando.
P: Contra apoiando? Como assim, deputado?
HM: Sim, é uma técnica política que eu chamo de oposição colaborativa. Se eu não tivesse ajudado a botar a PEC na pauta, como é que o povo ia se unir, naquelas manifestações lindas, contra mim? Foi praticamente um ato cívico!
P: Mas o clamor popular foi enorme…
HM: E eu aqui, vibrando junto. Gritei “abaixo a PEC” na frente do espelho, bati panela com a minha família, e até xinguei um deputado odiado na televisão. Era eu, mas o que interessa é o direito democrático de se manifestar.
P: Então, resumindo: o senhor está apoiando manifestações contra o senhor?
HM: Claro! Quem não gostaria de ter milhões de pessoas dedicadas exclusivamente a gritar o seu nome em praça pública? Tudo bem que eles berravam “fora, Hugo!”, mas não achei ruim. Até o ódio do brasileiro é carinhoso.
P: E qual a mensagem final para o povo?
HM: Xinguem o Hugo, vaiem o Hugo, até chamem o Hugo. Mas o importante é vocês nunca esquecerem o Hugo.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

