Carlos Castelo

Carlos Castelo é cronista, escrevinhador e sócio-fundador do grupo de humor Língua de Trapo.

Casteladas, a coluna dos aforismos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço: a frase curta, de alegria instantânea, a serviço do humor refinado. A coluna também publica crônicas — histórias compactas e irônicas que vêm, cutucam e partem.

Doces ou aforismos?

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O que mais assusta no Halloween é perceber que o ano está acabando e você ainda é você.

Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.

No Halloween, as criancinhas brasileiras não pedem doce, pedem pix.

O que mais assusta no Halloween é perceber que o ano está acabando e você ainda é você.

O terror de verdade é o que sobra quando a maquiagem sai.

Fingimos medo dos mortos porque seria indelicado temer os vivos.

As bruxas daqui não voam em vassouras, dão expediente na Câmara.

Quando a morte vira tema de festa é mais uma prova de que a vida não convenceu.

Celebrar o Halloween no Brasil é como usar terno na praia.

O horror vende porque o tédio é insuportável.

Assustar os outros no Dia do Saci é fácil; difícil é encarar o próprio espelho.

Medo de espírito é coisa de quem nunca teve que renovar contrato de aluguel.

No Halloween nacional, lobisomem se depila, vampiro toma água de coco, e o Frankenstein virou coach.

O que mais assombra o brasileiro em outubro não é o Halloween, é a fatura do cartão após o Dia das Crianças.

Vestimos nossos filhos de monstros no Halloween para que eles se preparem para o futuro.

Halloween. Onde a estupidez se fantasia de tradição e o consumo de ritual.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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