Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.
No Halloween, as criancinhas brasileiras não pedem doce, pedem pix.
O que mais assusta no Halloween é perceber que o ano está acabando e você ainda é você.
O terror de verdade é o que sobra quando a maquiagem sai.
Fingimos medo dos mortos porque seria indelicado temer os vivos.
As bruxas daqui não voam em vassouras, dão expediente na Câmara.
Quando a morte vira tema de festa é mais uma prova de que a vida não convenceu.
Celebrar o Halloween no Brasil é como usar terno na praia.
O horror vende porque o tédio é insuportável.
Assustar os outros no Dia do Saci é fácil; difícil é encarar o próprio espelho.
Medo de espírito é coisa de quem nunca teve que renovar contrato de aluguel.
No Halloween nacional, lobisomem se depila, vampiro toma água de coco, e o Frankenstein virou coach.
O que mais assombra o brasileiro em outubro não é o Halloween, é a fatura do cartão após o Dia das Crianças.
Vestimos nossos filhos de monstros no Halloween para que eles se preparem para o futuro.
Halloween. Onde a estupidez se fantasia de tradição e o consumo de ritual.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha do editorial do jornal Brasil de Fato.

