Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.
§ Eu confesso. Poucas cenas me abalam tanto quanto ver Caetano Veloso. Ou melhor, ver vídeos de Caetano Veloso de pijama.
Pior: logo após o baiano ganhar um Grammy Global!
É como ver um tigre aposentado, assistindo novela e molhando biscoito no chá de camomila.
Nada contra Caetano — pelo amor de Gal Costa! — o homem é um orixá tropical com discografia de tirar o rebolado da Globeleza. Mas de pijama? Não, Brasil, isso não!
É quase uma agressão visual. É como se o hino nacional resolvesse ser cantado pela minha Alexa.
E a cama dele? Aquela cama alva, imaculada, mais parece um altar de rendição pacífica.
Ah, claro, existem imagens bem mais perturbadoras do que essa. O Sarney fazendo polichinelo, por exemplo, em sua casa no Maranhão. Ou a reprise de Malhação de 1998. Mas Caetano, o rebelde da Tropicália, assim de pijama, lembra um revolucionário de pantufa.
Mano Caetano, por favor, vê se troca esse pijama por uma bata estilosa, vai… A Tropicália nasceu para chocar não pra combinar com travesseiro.
§ O impossível aconteceu: José Maria Eymael, eterno candidato presidencial, ficou fora da eleição presidencial. Após cinco tentativas consecutivas de explicar o que era Democracia Cristã com uma música que grudava mais que super bonder no dedo, Eymael anunciou sua saída do páreo. E junto com ele, morreu um pedaço do folclore político nacional, aquele que vinha embalado pelo hino: “Ey-Ey-Eymael! Um democrata cristão!”. Quem não foi assombrado por essa melodia em algum momento da vida não viveu a democracia brasileira. Era a Copa do Mundo dos jingles: voltava a cada quatro anos para dizer que nada tinha mudado no país.
Agora, sem Eymael, as eleições perderam o seu brilho kitsch. Quem vai ocupar o espaço daquele senhor de terno e sorriso confiante que parecia ter sido congelado em 1994?
O Brasil agradece aos serviços prestados, Eymael. Vá com Deus — e de preferência sem cantar o seu hino.
§ Caro presidente Trump,
Eu sei que o senhor anda muito ocupado com a Venezuela, o Irã, a Groenlândia. Mas venho por meio deste e-mail lhe pedir um favor: invadir meu apartamento e sequestrar a minha sogra. Não é uma questão pessoal, senhor presidente. Trata-se de uma ameaça à paz do condomínio. A mulher acorda às cinco da manhã e já liga o liquidificador. Vive andando pela casa com a sutileza de uma tropa de choque. Critica meu café, entra no banheiro e não sai mais. O senhor, com certeza, saberia o que fazer. Uma entrada estratégica dos marines pela sacada, já daria conta do recado. Depois, um abafador de som nos ouvidos, venda nos olhos e a passagem dela de navio para Nova Iorque. Ou, se quiser levantar um muro entre a sala e o quarto da minha sogra, fique à vontade. Pode até batizar de Trump Tower. Em troca, ofereço apoio irrestrito nas redes sociais e uma almofada bordada com a frase “Make Minha Sogra Educada Again”.
Atenciosamente,
Um genro desesperado.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

