Coluna das Inclusivass

O Movimento Feminista Inclusivass surge de uma articulação propiciada pelo 1° Seminário Mulheres com Deficiência e Políticas Públicas, realizado em março de 2014 em Porto Alegre (RS) Ao seu final, as ativistas e lideranças decidem buscar formas autônomas de construir e implementar ações. As inclusivass lutam pelo empoderamento e defesa dos direitos humanos e a cidadania.

Educação inclusiva para quem?

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Porto Alegre é uma capital pioneira na construção de Políticas Públicas de educação inclusiva
Porto Alegre é uma capital pioneira na construção de Políticas Públicas de educação inclusiva | Crédito: Keira Burton/Pexels

Educação inclusiva não pode ser tratada como improviso ou boa vontade

Bruna Schatschineider*

No Dia Mundial da Educação Inclusiva, 14 de abril, denunciamos a realidade vivida por meninas com deficiência nas escolas do Rio Grande do Sul.

Garantir o direito à educação não é apenas garantir matrícula. É assegurar acesso, participação, permanência e aprendizagem. Quando isso não acontece, o que vemos é a reprodução de desigualdades estruturais.

Nas escolas, estudantes com deficiência ainda enfrentam barreiras cotidianas: materiais não adaptados, espaços físicos inacessíveis, ausência de recursos de comunicação, falta de apoio especializado e práticas pedagógicas que ignoram diferentes ritmos de aprendizagem.

A falta de políticas públicas consistentes e de investimento em educação inclusiva produz e mantém essas barreiras. Quando acessibilidade, formação docente e recursos pedagógicos não são prioridade, a exclusão deixa de ser exceção e passa a fazer parte da estrutura do sistema educacional.

Mas essas barreiras não atingem todas as pessoas da mesma forma. Meninas com deficiência enfrentam uma dupla desigualdade: o capacitismo e as desigualdades de gênero. Enquanto meninos com deficiência, em muitos contextos, recebem mais incentivo à autonomia e à participação, meninas são frequentemente superprotegidas, desacreditadas ou mantidas sob expectativas mais baixas de aprendizagem.

Essa diferença de tratamento reforça papéis de gênero dentro da própria escola e limita o acesso das meninas com deficiência às mesmas oportunidades educacionais oferecidas aos meninos.

Esse cenário revela o capacitismo institucional. Ele aparece quando a inclusão é celebrada no discurso, mas não garantida na prática; quando adaptações são adiadas; quando a responsabilidade pela inclusão recai sobre famílias ou sobre as próprias estudantes.

Também é fundamental garantir a participação efetiva das profissionais da educação na construção pedagógica de práticas inclusivas, com recursos acessíveis que possibilitem a presença, a voz ativa e a participação das estudantes com deficiência nos processos de aprendizagem.

Sem acessibilidade pedagógica e sem o reconhecimento da experiência das próprias profissionais e estudantes com deficiência, a escola segue reproduzindo exclusões.

O capacitismo também atinge profissionais da educação com deficiência. Professoras enfrentam barreiras de acessibilidade, desconfiança sobre suas capacidades e ausência de condições adequadas de trabalho, o que limita sua participação plena nas instituições escolares.

Educação inclusiva não pode ser tratada como improviso ou boa vontade. Ela exige compromisso público: formação docente contínua, acessibilidade física, comunicacional e pedagógica, recursos adequados e participação ativa das próprias pessoas com deficiência na construção das políticas educacionais.

Sem políticas públicas efetivas, investimento e reconhecimento das desigualdades de gênero, meninas com deficiência continuarão enfrentando mais obstáculos para acessar e permanecer na escola.

Neste 14 de abril reafirmamos: educação inclusiva é direito, é política pública e é responsabilidade coletiva.

*Bruna Schatschineider é do Movimento Feminista Inclusivass.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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