Aprendemos nas aulas de geografia da escola que há três tipos básicos de rochas em nosso planeta. As magmáticas formam-se quando o magma do interior da Terra esfria e se solidifica. As sedimentares originam-se pelo lento acúmulo de sedimentos no fundo de um rio ou do mar, por exemplo. E as metamórficas são fruto da transformação de uma rocha pré-existente pela ação do calor, da pressão e de processos geológicos internos.
Há cientistas que sugerem que há um quarto tipo na área. Rochas formadas a partir de materiais de origem humana, principalmente com componentes plásticos, os plastiglomerados. Um fenômeno que não é apenas geológico, mas também político e econômico.
A imensa produção de plástico que acaba por se acumular no ambiente é um resultado incontestável do capitalismo. Desde o microplástico invisível ao olho humano até garrafas, sacolas e uma infinidade de outros objetos, a atividade da indústria capitalista encheu o planeta de lixo plástico. E esse material se acumula no solo, nos rios e, principalmente, nos oceanos.
O calor, a pressão e reações químicas geram a fusão desses materiais com fragmentos de rochas e matéria orgânica pré-existente. Isso dá origem a esse novo tipo de rocha. Deixamos na história geológica da Terra uma marca de nossa existência, por meio desses plastiglomerados. Daqui há milhões de anos, o registro fóssil terá um capítulo a parte que mostrará como o capitalismo lidou com o lixo e alterou o ambiente terrestre.
Já há estudos que analisam a interação de outros seres vivos (como corais, tartarugas e artrópodes marinhos) com esses plastiglomerados. Provavelmente, daqui pra frente, os ecossistemas se transformarão cada vez mais, ao lidar com a incorporação desses materiais em suas estruturas.
O plástico é um material produzido a partir do petróleo. Ou seja, retiramos um óleo do fundo da Terra, que demorou milhões de anos para se formar, e o transformamos em vários outros tipos de materiais que estão se acumulando sobre a superfície do planeta. É um baita impacto.
Os plastiglomerados são, afinal, um símbolo geológico de escolhas humanas que ainda podemos reverter. Soluções a curto prazo são bastante limitadas. É preciso reorganizar a sociedade sobre bases que não sejam a acumulação irracional de lucro e a expansão infinita, respeitando o planeta e o direito à vida das demais espécies. Que consigamos fazer isso antes que seja tarde demais.
Um abraço e até a próxima!
*Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais

