Os primeiros meses de 2026 comprovam que vivemos em um mundo profundamente impactado pelas crises estruturais do capitalismo e a luta política no Brasil assume um papel central no contexto mundial.
O sequestro de Nicolás Maduro e Cília Flores na Venezuela, os conflitos no Irã e os crimes humanitários contra Cuba são exemplos do acirramento da disputa geopolítica. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se consolida como um “ídolo” do projeto da extrema direita, que é a expressão mais desprezível do projeto imperialista.
No Brasil, Flávio Bolsonaro (PL) convoca a base bolsonarista e setores da burguesia à disputa pelo Planalto. Em um ano eleitoral decisivo para o futuro do país, a extrema direita tenta implementar sua agenda no parlamento, nas ruas e nas redes, pautando ataques à esquerda e às suas pautas (sobretudo ao governo Lula), a narrativa em torno da prisão de Jair Bolsonaro e o ataque sistemático à soberania nacional, em uma defesa ferrenha dos interesses norte-americanos.
Do lado de cá, se destacam duas dimensões da luta política na esquerda brasileira. Na atuação institucional do governo e no Congresso, há uma aposta em torno de políticas públicas e pautas populares para ganhar fôlego, frente a um cenário eleitoral apertado, como indicam as últimas pesquisas de intenção de voto.
É o caso da recém-implementada isenção do Imposto de Renda, da defesa diplomática da soberania dos países pelo presidente Lula, da mobilização pelo fim da escala 6×1 e do aceno à política da tarifa zero.
No seio dos partidos e organizações populares, se nota um cenário de reorganização para as lutas deste ano. O debate de programa e a construção de espaços unitários são algumas das apostas. Exemplo disso é a reorganização das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, a nível nacional e também em Minas Gerais, bem como o indicativo de construção de um massivo Encontro das Esquerdas com Lula, em Belo Horizonte, no dia 30 de maio, para debater os rumos da luta popular.
Se o cenário colocado é de acirramento da disputa de corações e mentes do povo brasileiro, não resta dúvidas de que é fundamental combinar a organização do povo e a resolução dos problemas econômicos da maioria.
Como nos ensina Álvaro Garcia Linera, ex-vice-presidente da Bolívia, apenas assim é possível superar as crises postas, derrotar de vez as forças reacionárias e reconstruir a esperança por um mundo e um país mais justos, sem opressões e explorações.

