A votação da última quarta-feira (29), articulada pelo bolsonarismo e o centrão, junto do presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União Brasil), que, por 42 votos a 34 e uma abstenção, rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de histórica, já que tal fato não ocorria desde 1894, escancarou lições importantes. Além disso, nesta quinta-feira (30), a Câmara dos Deputados derrubou os vetos de Lula ao PL da Dosimetria.
Devemos nos atentar aos ensinamentos deixados por essas duas últimas movimentações no legislativo com muito afinco, se quisermos avançar na direção de uma agenda verdadeiramente popular para o Estado brasileiro, desde já e não somente a partir das eleições de 2026.
A primeira delas diz respeito à ruptura total com o pacto estabelecido no último período, entre o campo progressista e frações da burguesia brasileira, conhecido como frente ampla, que apesar de fundamental para a vitória eleitoral de Lula em 2022, chegou em seu limite.
Desde o início do governo Lula 3, não foram poucos os alertas das diversas organizações populares do campo progressista que apontavam que, de imediato, era necessária a construção de uma frente popular dentro da frente ampla, para avançarmos na direção de um projeto de país verdadeiramente preocupado com os interesses do povo. A não conformação da frente popular foi um dos fatores que certamente contribuiu para a ruptura abrupta que estamos observando hoje.
Segundo, precisamos urgentemente centrar nossas energias para reafirmar o quão inimigo do povo brasileiro o atual Congresso Nacional é. Mais além, precisamos, durante o período eleitoral, eleger parlamentares verdadeiramente comprometidos com as pautas e interesses da classe trabalhadora.
Frente às agendas de costumes, de impunidade aos golpistas do 8 de janeiro, de blindagem de deputados, entre outras, precisamos colocar no centro do debate o fim da escala 6×1 sem redução de salários, a vida das mulheres e do povo negro, a crise climática e a superação das inúmeras desigualdades que assolam o Brasil.
Terceiro, a rejeição de Messias ao STF é só mais um capítulo das movimentações de uma direita que, ao não aceitar até hoje o resultado eleitoral de 2022 e as projeções de vitória de Lula este ano, segue movimentando-se para travar as pautas realmente importantes para o país.
Por fim, apesar de ser uma importante derrota para o governo, a rejeição de Jorge Messias abre mais uma vez a possibilidade de falarmos sobre o STF que queremos. Não se trata então, frente a tantos ataques e a necessidade de aproximação cada vez maior com o povo brasileiro, de pensarmos na indicação daquilo que de fato não está representado ali? Não é a hora de pensarmos em mulheres, negras, trabalhadoras? Talvez seja a melhor resposta possível neste momento conjuntural.
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