Por Conceição Clarete Xavier Travalha (Teca) e Welington Dias
Era o histórico ano de 2013, momento de acirramento político no país: posições antagônicas se debatiam em toda a sociedade. Nas universidades, crescia um clima de incertezas e angústias, especialmente na Faculdade de Educação da UFMG, espaço de liberdades pedagógicas, acadêmicas e livre expressão pairava no ar uma atmosfera que se configurava um misto de aflição e estresse diante do povir.
As exigências acadêmicas que se colocam no cotidiano da Universidade, para docentes e discentes, eram acrescidas de um certo adoecimento dos corpos e das almas.
Naquele justo momento, existia também na Faculdade de Educação da UFMG um espaço que era utilizado como depósito de descartáveis, móveis sem aproveitamento ou avariados, nesse espaço se fazia o descarte dos mais variados itens.
Mas existia também um aluno da Escola de Belas Artes, um artista com sensibilidade para intervenções por meio da Arte Ambiental, que sonhava com um espaço de caráter terapêutico naquele ambiente sem visibilidade e subutilizado! Seu nome: Welington dias.
Nascia assim, pelas mãos do aluno-artista, o Jardim Mandala UFMG! Seus canteiros inspirados nos jardins das avós e benzedeiras – eram espaços estruturados em forma de mandalas, com plantas medicinais, aromáticas, espécies utilizadas pelos povos indígenas e das culturas de matriz africana.
Numa outra manhã, de um sol radiante, uma professora dava aulas de Psicologia da Educação para alunos sonolentos e lamentava a arquitetura do prédio com altas janelas que impediam a visão do verde exuberante do campus. E, ao se aproximar da janela, visualiza um jardim que tinha canteiros floridos e circulares! Para espanto dos alunos ela os convida a dar continuidade a aula naquele espaço e todo o clima se transforma! O nome da professora: Teca!
Após algum tempo o Núcleo de Estudos do Pensamento Complexo (NEPPCOM) propõe nos cursos de graduação a disciplina Educação e Espiritualidade como uma tentativa de se abrir frentes dialógicas e construir saberes sobre espiritualidade enquanto um comprometimento sociopolítico.
O jardim torna-se o espaço para suas atividades e encontros pedagógicos embasados na proposta de Paulo Freire. São convidados praticantes de diversas religiões: as de origem afro além das cristãs (evangélicas e católicas). O projeto se expande por todo o campus e torna-se referência para os que transitam por lá!
Alunos, técnicos em educação, professores e público externo vão buscar momentos de relaxamento e se fortalecer para o enfrentamento do cotidiano. Com o apoio do APUBHUFMG+, o jardim também passa a oferecer atividades de Reiki e terapias complementares, buscando potencializar a qualificação da vida acadêmica. Outros professores passam a buscar o jardim para atividades diversas e além disso, a proposta temática da disciplina Educação e Espiritualidade chega ao Mestrado Profissional em Educação e Docência da UFMG (PROMESTRE), tendo como foco a prática docente.
Por esse tempo o Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBHUFMG+) lança um edital de Apoio a Projetos e Ações de Professoras e Professores Filiados o qual convidava-os a apresentarem “propostas de ações com impacto na qualidade de vida e saúde da categoria docente, na aproximação entre universidade e sociedade, no fortalecimento da luta popular por direitos que implica na redução da desigualdade social no Brasil”.
Com o apoio do APUBHUFMG+, o jardim também passa a oferecer atividades de reiki e terapias complementares, buscando potencializar a qualificação da vida acadêmica. Outros professores passam a buscar o jardim para atividades diversas e além disso, a proposta temática da disciplina Educação e Espiritualidade chega ao PROMESTRE, tendo como foco a prática docente.
Ao sermos contemplados por esse edital, deu-se o início de uma importante parceria entre o NEPPCOM, o APUBHUFMG+e o Jardim Mandala tendo como foco as lutas dos professores da educação básica e o cuidado com sua saúde. A escola é palco de lutas e contradições e a articulação APUBH – NEPPCOM veio para potencializar nossas propostas de cuidados com a categoria dos docentes num cenário tão desafiador como o que vivenciamos no atual momento em Minas Gerais, onde as políticas públicas parecem insensíveis à condição docente.
Destacamos as reivindicações da categoria nos últimos tempos como piso nacional de salários, escolas que busquem a formação integral dos estudantes e não a militarização imposta, um cotidiano escolar menos tóxico e mais democrático, onde se estabeleçam ações voltadas para a diminuição do adoecimento docente.
Nossa proposta se expande: a divulgação de nossas ações intermediada pelo APUBH chegou até o Sindicato de professoras da Educação Básica de IJUI – Rio Grande do Sul, ações conjuntas estão em construção.
E assim vamos caminhando…. É que a luta continua.
Conceição Clarete Xavier Travalha (Teca) é professora titular do Mestrado Profissional em Educação e Docência da UFMG & Welington Dias é doutorando em Artes Visuais EBA-UFMG
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