Educação em Direitos Humanos em Pauta

A coluna “Educação em Direitos Humanos em Pauta” é mantida pela Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Coordenação Minas Gerais (ReBEDH MG) – para contribuir com a problematização da realidade socioeconômica e cultural do país e nos educarmos, continuamente, para a construção de uma cultura de respeito e promoção dos direitos humanos.

I Conferência Internacional Antifascista

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A ‘batalha da Praça da Sé’ marcou a resistência contra o fascismo na década de 1930 | Crédito: domínio público

Século XXI assite novo ciclo antifascista

Por  Luiz Carlos Castello Branco Rena

Já se passaram cem anos da fundação da organização “Fasci di Combattimento” por Benito Mussolini na Itália, bem como da realização do evento que revelou ao mundo a corrente de pensamento político-ideológico que conhecemos como “Fascismo”. 

Em 1922 a marcha sobre Roma levou Mussolini ao poder, provocando a resposta de trabalhadores, socialistas e anarquistas através dos movimentos de resistência como as milícias antifascistas “Arditi del Popolo”. 

Nos dez anos seguintes a humanidade assistiu à emergência de movimentos de resistência aos fascistas na Putsch da Cervejaria (Alemanha/Adolf Hitler-1933) e as Brigadas Internacionais Antifascistas contra Francisco Franco na Guerra Espanhola (1936-1939). A partir de 1939, grupos de resistência e antifascistas se multiplicam na França, Itália, Iugoslávia e Alemanha, culminando, em 1945, com a derrota do nazifascismo e a queda de Berlim. 

No Brasil a resistência antifascista contra o integralismo se inicia em 1935 e se expressa sobretudo na oposição ao Estado Novo de Getúlio Vargas. Entre 1960 e 1980 o antifascismo se fortalece na luta contra as ditaduras e regimes militares. Durante os anos 1990 crescem grupos antifascistas contra o neonazismo e assistimos o surgimento das redes Antifa na Europa e, nos EUA, o combate a grupos supremacistas e racistas.

Na segunda década do século XXI nos deparamos com um novo ciclo antifascista com mobilizações contra a extrema direita e a ampliação do antifascismo digital e nas ruas. Isso se deve a forte onda de conservadorismo que antecede a ocupação de espaços de poder do Estado e em outros setores da sociedade em vários países do mundo. 

Na atualidade podemos identificar algumas demandas fundamentais na luta antifascista dentro e fora do Brasil: defesa da democracia; combate ao racismo; enfrentamento da misoginia; proteção de minorias; resistência a autoritarismos. Vale ressaltar as torcidas antifascistas, entre outras organizações que assumem publicamente sua luta contra o neofascismo. 

:: Leia também: Carta de Porto Alegre afirma unidade internacional contra o fascismo e o imperialismo ::

Soberania dos povos

A “I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos” foi um encontro internacional realizado em Porto Alegre, entre 26 e 29 de março de 2026, reunindo organizações sociais, movimentos populares, sindicatos, partidos políticos e militantes de vários países para articular o enfrentamento ao avanço da extrema direita e do autoritarismo no mundo. 

Fortalecer a articulação antifascista internacional, defender a democracia e os direitos sociais, construir a solidariedade entre os povos e enfrentar o neoliberalismo, o imperialismo e o negacionismo climático foram alguns dos objetivos dessa primeira conferência, que contou com a presença de mais de cem organizações e militantes de movimentos sociais de diferentes continentes.

O encontro contou com uma programação diversificada: marcha de abertura, painéis e conferências internacionais, atividades autogestionadas, fóruns de autoridades e movimentos sociais, debates temáticos (extrema direita, trabalhadores, solidariedade internacional etc.). 

No debate sobre a ofensiva da extrema direita no mundo estavam presentes Sâmia Bomfim (Brasil), Eric Toussaint (Bélgica – CADTM), Jorgelina Matusevicius (Argentina), Ricardo Abreu de Melo “Alemão” (Brasil), Thomas Portes (França) e Valter Pomar (Brasil). 

No que se refere aos desafios inerentes às práticas de resistências, articulações e alternativas contribuíram para a reflexão Zoe Konstantopoulou (Grécia), Manon Aubry (França), Fernanda Gadea (Espanha), Ana Maria Prestes (Brasil), Roberto Robaina (Brasil) e Valter Pomar (Brasil). 

Os governos populares em diferentes contextos também foram objetos de discussão a partir das intervenções de Maurizio Fabbri (Itália), Fernando Rojas (Cuba), Daniel Jadue (Chile), Luiz Fernando Mainardi (Brasil), Dani Brizolara (Brasil), Franco Metaza (Argentina) e uma representação da Venezuela.  

A Conferência foi encerrada com a publicação da Carta de Porto Alegre que pode ser lida aqui.  

Luiz Carlos Castello Branco Rena é pedagogo e mestre em Psicologia Social, membro do CDDHN Betim e da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos. Email: [email protected]

Leia outros artigos sobre direitos humanos na coluna Educação em Direitos Humanos em Pauta no jornal Brasil de Fato

Este é um artigo de opinião, a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

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