Elisa Maria Lucena

Advogada e mestra em Direito Constitucional (UFPE). Integrante do coletivo feminista Soledad Barrett e membro da coordenação nacional do Movimento Brasil Popular. Contato: [email protected]

O movimento feminista é o chamado de que outro mundo é possível

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Pernambucanas participam da "Marcha das Mulheres Negras", em novembro de 2025
Pernambucanas participam da “Marcha das Mulheres Negras”, em novembro de 2025 | Crédito: Fran Silva/Divulgação

Para as organizações de esquerda, a luta das mulheres abre portas, consolida trabalhos sociais e políticos, fortalece a militância nos diferentes territórios

O dia de luta das mulheres se consolida como uma agenda imprescindível das organizações populares que já não se restringe ao dia oito e catalisa as atividades com as mulheres em todo o mês de março. São os “aromas de março”. 

Para as organizações de esquerda, a luta das mulheres abre portas, consolida trabalhos sociais e políticos, fortalece a militância nos diferentes territórios e espaços de luta. Dedicar um tempo às mulheres, nossas dores e pautas, estreitar laços de solidariedade entre as companheiras das nossas organizações e também em unidade é super importante. É tempo de recarregar bem as nossas baterias para um ano inteiro de luta. 

O março de 2026 é marcado por uma grande comoção diante da alta da violência contra as mulheres, casos de feminicídio e estupros com requintes de crueldade que chocam o país e levaram à um levante feminista no final do ano passado. Nesse contexto, o presidente Lula protagonizou uma movimentação inédita e, enquanto chefe de Estado, convocou todos os homens e os três poderes para se unirem em um pacto pelo fim da violência contra as mulheres.

A trincheira do facismo que avança sobre os corpos das mulheres, combinado com o insistente neoliberalismo que precariza a vida e sustenta desigualdades e pobrezas, materializa o velho patriarcado em novos personagens de ódio às mulheres, em especial na internet.

O movimento feminista e de mulheres segue sendo o sopro de que outra sociabilidade é possível e vamos às ruas em meio a tanta dor, transformando luto em luta, denunciando violências e anunciados saídas. 

O deslinde do caso de Marielle Franco, com o julgamento dos mandantes de seu assassinato, deve marcar também a nossa presença nas ruas. A violência política de gênero e raça deve ser pauta permanente diante um Brasil que precisa de mais mulheres na política e em espaços de decisão e de representação. Porém, não só que a gente tenha acesso, e sim que a gente permaneça.  Manter a memória de Marielle e seu legado também se concretiza com seguir germinando a ousadia de lideranças mulheres, negras, periféricas em serem porta-voz do projeto popular para o Brasil. 

Nesse sentido, é central a reeleição do presidente Lula acompanhado da ampliação de bancadas feministas comprometidas com os direitos das mulheres. “Mais mulheres no poder, por um Brasil sem violência” sintetiza bem os desafios da luta das mulheres neste ano eleitoral em que se abre a possibilidade de termos instituições menos coniventes com a pandemia de feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio no Brasil porque mais ocupadas por parlamentares feministas e antirracistas do campo democrático e popular. 

Editado por: Rostand Tiago

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