Esportes Rebeldes

Esta coluna é coordenada por Michel de Paula Soares. Debatemos diferentes temas sociais a partir e por meio dos esportes, sempre com uma perspectiva crítica.

Seguimos fortes: panorama do boxe olímpico brasileiro

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Equipe de treinadores, liderada pelo cubano Paco Garcia, com as medalhas conquistadas pelo Brasil no Campeonato Mundial de Boxe
Equipe de treinadores, liderada pelo cubano Paco Garcia, com as medalhas conquistadas pelo Brasil no Campeonato Mundial de Boxe | Crédito: Arquivo digital CBBoxe

Resultados demonstram o bom trabalho realizado pela CBBoxe e pelas federações estaduais na preparação para o próximo ciclo olímpico.

Os meses de abril e maio foram quentes para o boxe olímpico brasileiro. Três competições aconteceram nesse período e os resultados demonstram o bom trabalho realizado pela CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe), assim como pelas federações estaduais, na preparação para o próximo ciclo olímpico.

No Panamá, entre 12 e 25 de abril, aconteceu a quarta edição dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, evento com participação de atletas de 14 a 18 anos de idade distribuídos em 22 modalidades. Foram quinze nações participantes e o Brasil liderou o quadro de medalhas, com 157 conquistas.

No boxe, a equipe liderada pelos treinadores Raphael Piva e Jefferson Merim, que contou com 11 atletas, teve uma excelente campanha: retornou com dez medalhas, sendo três de ouro, seis de prata e uma de bronze. O foco agora são os Jogos Mundiais da Juventude, a principal competição para a categoria juvenil, que serão realizados em Dakar, Senegal, entre outubro e novembro deste ano.

Entre 20 e 26 de abril, o Brasil recebeu a primeira etapa do Campeonato Mundial de Boxe, organizado pela World Boxing, instituição que substituiu a IBA como organizadora do boxe nos Jogos Olímpicos. Foram trezentos combates realizados entre quase 400 boxeadores e boxeadoras de 50 diferentes países. A competição aconteceu em Foz do Iguaçu e, novamente, o Brasil terminou à frente no quadro de medalhas, com quatro de ouro e cinco de prata. Os campeões foram Luiz Oliveira (60 kg), Yuri Falcão (65 kg), Wanderley Pereira (80 kg) e Isaías Filho (90 kg). Os vice-campeões foram Kaian Reis (70 kg), Thauan Silva (75 kg) e Kaue Belini (85 kg) no masculino, e Rebecca Santos (60 kg) e Barbara Santos (75 kg) no feminino.

Depois do Brasil, a seleção com melhor desempenho foi a China, que venceu todas as suas quatro finais no último dia de competição, além de ter ganho uma medalha de bronze. Já o terceiro e o quarto lugares no quadro de medalhas ficaram com o Cazaquistão e o Azerbaijão, que tiveram três vencedores cada no último dia de competição. Os únicos outros países a conquistarem mais de uma medalha de ouro no último dia foram o Uzbequistão e a Polônia, que terminaram com duas medalhas de ouro cada. Venezuela e Noruega tiveram uma medalha de ouro cada. Ao todo, 27 países conquistaram alguma medalha.

E, por último, e não menos importante, aconteceu o Campeonato Brasileiro de Elite, para atletas adultos a partir dos 19 anos de idade. O evento foi realizado na mesma estrutura que recebeu o campeonato da World Boxing, iniciando-se poucos dias após a finalização da etapa mundial, entre 29 de abril e 3 de maio. A competição contou com a volta de Beatriz Ferreira ao circuito olímpico, que, representando o estado da Bahia, sagrou-se campeã na categoria 60 kg. Outros atletas olímpicos, como Jucielen Romeu e Keno Marley, abrilhantaram o torneio.

A equipe da Bahia, comandada pelos treinadores Gilvan Bispo, Marquinho, André e Biriba, manteve a hegemonia do boxe brasileiro, com a incrível marca de dez conquistas de ouro (cinco na categoria feminina e cinco na masculina), além de uma medalha de prata e duas de bronze. A equipe paulista alcançou a segunda colocação, com destaque para Kelvy Alecrim (55 kg). Em seu segundo campeonato de elite, sagrou-se campeão e foi eleito o melhor atleta da competição.

Que o governo federal, o comitê olímpico brasileiro, assim como os estados e municípios, elevem o incentivo ao boxe brasileiro. Sabemos que o investimento em viagens e participações em torneios internacionais aumenta a possibilidade de medalha de um atleta. A tradição de golpear com os punhos segue forte em terras tupiniquins.

*Michel de Paula Soares é doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo, pesquisador do LabNAU/USP, coordenador do Boxe Autônomo e responsável pela coluna Esportes Rebeldes.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Rafaella Coury

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