Há mais de 15 anos, a população do Centro-Oeste de Minas Gerais aguarda a conclusão do Hospital Regional de Divinópolis. Idealizado para ampliar o acesso à saúde pública e desafogar os leitos hospitalares da região, o projeto foi marcado por paralisações, entraves burocráticos e disputas políticas que transformaram a esperança em frustração.
Graças a articulações constantes junto ao Governo Federal, à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o hospital começa, enfim, a se tornar realidade.
A virada decisiva veio em fevereiro de 2025, com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o governo de Minas, a UFSJ e a Ebserh, que transformará a unidade em um Hospital Universitário 100% SUS — modelo que integra ensino, pesquisa e assistência, fortalecendo o Sistema Único de Saúde em toda a região.
A presença da UFSJ é essencial nesse processo. O hospital funcionará também como campo de prática para cursos da área da saúde, consolidando o papel do campus Centro-Oeste na formação de profissionais qualificados e comprometidos com o serviço público.
A urgência dessa integração ficou evidente em 2023, quando estudantes da universidade perderam a vida em um acidente de trânsito a caminho do internato na cidade de Pará de Minas, onde fariam aulas práticas — uma tragédia que escancarou a falta de estrutura e a necessidade de um hospital universitário na região.
O impasse com o governo estadual
Apesar do avanço, a consolidação do Hospital Universitário enfrenta resistência do governo de Minas. A tentativa de alterar o acordo que previa a doação definitiva do imóvel à UFSJ, propondo uma cessão temporária, revela claramente uma tentativa de priorizar interesses financeiros e políticos em detrimento da população. A Ebserh apontou fragilidades jurídicas na proposta, mostrando que apenas a doação definitiva garante segurança e estabilidade na gestão universitária.
Ainda mais grave é a decisão do governo estadual de incluir o hospital na lista de bens a serem repassados à União como abatimento de dívida no Propag. Transformar uma unidade de saúde pública em moeda de troca fiscal é inaceitável. Não podemos permitir que vidas e necessidades básicas sejam postergadas por conveniências contábeis.
União de forças em Brasília
A mobilização pelo hospital extrapolou os limites municipais. Levamos pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) as demandas de Divinópolis e do Centro-Oeste mineiro, reforçando a urgência de concluir a obra. O compromisso do governo federal é claro e demonstra que a prioridade deve ser o atendimento à população e o fortalecimento do SUS.
Diante disso, houve uma mobilização de prefeitos e lideranças da região, articulando estratégias conjuntas e a elaboração de um manifesto regional. Estivemos em Brasília nesta terça-feira (29) em uma série de agendas com ministros e órgãos federais para garantir que o hospital saia do papel e cumpra sua função social.
O ministro da Educação, Camilo Santana, reafirmou o compromisso do governo federal com a efetivação do hospital e fez uma ligação direta ao governador Romeu Zema, reforçando que cabe ao governo estadual realizar a doação do hospital à UFSJ — etapa essencial para que o processo avance. O governador se comprometeu em fazê-lo.
Também estivemos com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar de outro ponto sensível: Zema tenta incluir a doação do hospital no programa Propag, como forma de abatimento de dívidas do Estado com a União. Entregamos um documento solicitando que o governo federal não aceite essa manobra, garantindo que o hospital mantenha sua finalidade pública e regional.
Em reunião com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi articulada uma solução definitiva para o fornecimento de energia elétrica do hospital — gargalo que colocava em risco sua operação. O ministro fez contato imediato com o presidente da Cemig, assegurando que o problema será resolvido.
Por fim, nos reunimos com Arthur Chioro, presidente da Ebserh, que apresentou o plano de funcionamento do hospital. No entanto, o cronograma só poderá ser iniciado após a formalização da doação do prédio à UFSJ pelo governo estadual — etapa que depende do envio do projeto à ALMG e da respectiva sanção.
Esperança e cobrança
Enquanto as obras avançam, a população acompanha ansiosa. Quase 15 anos de espera não podem se transformar em desculpas para novas paralisações. O Hospital Regional de Divinópolis precisa começar a funcionar no primeiro semestre de 2026, caso o cronograma seja cumprido. Seguiremos cobrando transparência, cumprimento dos acordos e respeito à população, reafirmando que esta unidade é uma conquista do povo e não pode ser postergada nem usada como barganha fiscal.

