A pergunta que mais ouço é: quem será a indicação do PT para o governo de Minas Gerais? Estamos diante de um ano eleitoral decisivo. Mais do que escolher nomes, é hora de definir que projeto de país queremos fortalecer.
Minha experiência de sete anos como deputada me ensinou que, quando a esquerda se organiza e conquista espaço no Legislativo, a vida do povo melhora. Por isso, além de apoiar a reeleição do presidente Lula e a escolha de um bom nome para o Executivo estadual, nosso foco é ampliar as bancadas de deputados federais e estaduais de esquerda, fortalecendo a democracia, a justiça social e os direitos da população.
O parlamento é um espaço de disputa permanente. Nenhuma política pública surge por acaso. Avançar em direitos exige correlação de forças, diálogo, articulação e número. A quantidade de parlamentares comprometidos com uma pauta é determinante para consolidar projetos e barrar retrocessos. Mesmo em um Congresso com forte pressão conservadora, a união da esquerda recolocou no centro debates essenciais, como justiça tributária, políticas sociais e o papel do Estado no combate às desigualdades.
Em Minas Gerais, a atuação coletiva do Bloco Democracia e Luta, composto por vinte deputados e deputadas de oposição ao governo de Romeu Zema, mostrou como a unidade da esquerda faz diferença. Essa articulação foi essencial para fiscalizar o governo, barrar retrocessos, dar visibilidade às lutas sociais e apresentar alternativas que defendem serviços públicos, trabalhadores, meio ambiente e direitos da população vulnerável.
Nos últimos anos, enfrentamos desafios concretos: lutamos contra a privatização da Copasa, barramos a venda indiscriminada de imóveis do Ipsemg e denunciamos os efeitos do Regime de Recuperação Fiscal sobre saúde, educação e direitos trabalhistas. Ocupamos comissões, convocamos audiências públicas e abrimos a Assembleia para sindicatos e movimentos sociais, mostrando que uma bancada organizada pode atrasar retrocessos, alterar rumos e garantir debate sobre decisões que impactam a vida do povo.
A política está no cotidiano das pessoas: cada voto, cada comissão ocupada e cada projeto aprovado influencia diretamente a vida da população. É a força coletiva da esquerda que permite enfrentar ameaças a direitos e criar avanços na saúde, educação, assistência social e proteção do patrimônio público. Eleger bons parlamentares individualmente não basta; é preciso volume político para sustentar posições e vencer votações.
Ampliar as bancadas de esquerda fortalece a democracia, garante voz a mulheres, trabalhadores, juventude, população negra, povos tradicionais e moradores das periferias, e apoia um modelo de desenvolvimento inclusivo. Cada cadeira conquistada por um projeto progressista amplia nossa capacidade de proteger direitos e avançar em novas conquistas.
As eleições deste ano nos colocam diante de uma escolha coletiva. Ou seguimos com um parlamento fragmentado, onde interesses privados muitas vezes se sobrepõem ao bem comum, ou fortalecemos um campo político que tem compromisso histórico com a redução das desigualdades e com a dignidade do povo brasileiro. A experiência recente prova que, quando a esquerda cresce e atua de forma articulada, o Brasil se torna um lugar mais justo.
Nós queremos não só um candidato ao governo de Minas, mas um projeto de Estado que vá na contramão do privatismo neoliberal de Zema e de seu vice. Um projeto que conquiste corações e mentes que tenha como objetivo um estado mais humano, acolhedor, ético e justo.
Mas nós também precisamos reforçar as bancadas de deputados federais e estaduais de esquerda. É um passo fundamental para garantir que as lutas sociais se transformem em políticas públicas, que a democracia seja protegida e que Minas Gerais e o Brasil trilhem no caminho da justiça social. Essa é a tarefa do nosso tempo, e é com esse compromisso que seguimos em luta.
Leninha é bióloga, mestre em Desenvolvimento Social (Unimontes) e está em seu segundo mandato como deputada estadual. É uma mulher negra, periférica e trabalhadora e constrói sua trajetória de vida e luta a partir das bases populares, com raízes profundas no Norte de Minas. É a primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e atual presidente do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais (PT MG).
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Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

