Sem dúvida o assunto mais importante dos últimos dias foi o recrudescimento do genocídio em Gaza. Com mais de 400 mortos por bombas jogadas durante um armistício, em plena vigência de período negociado de “cessar fogo”, e com aquela declaração do premiê israelense de que isso “é apenas começo”, na ausência de reações globais tudo indica que a humanidade está se perdendo.
O apalermamento da ONU e a conivência muda as nações, diante da brutalidade destes fatos, só podem ser entendidos pela instauração (e aceitação) de uma nova normalidade. Nesta, e daqui para a frente, o que vale é a lei do mais forte.
Com isso, e a depender das grandes mídias corporativas, veremos avançar a secundarização de pautas de fundamentação ética e moral, apagadas pela hiper veiculação de superficialidades e distrações destinadas a dificultar a compreensão das sociedades, em relação a questões essenciais.
Em uma escala menor, isso pode ser ilustrado pelo que acontece no Brasil.
Esta semana, a fuga do “Bananinha” vem servindo como cortina de fumaça para ocultar os impactos de Medida Provisória emitida pelo Governo Lula, que ao corrigir distorção tributária histórica, estabelece uma política fiscal inédita, e robusta, de justiça social.
Num breve resumo, vale lembrar que o sempre raivoso deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), eleito com os votos de 141 mil paulistas, se adiantou à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderia recomendar apreensão de seu passaporte, e abandonou o país. A fuga, por ele mencionada como pedido de licença para tratar de assuntos pessoais, se justificaria, segundo interpretação de seu papi, para que ele possa dar combate a (algo parecido com) “nazifascismo que cada vez mais avança em nosso país”.
Seu filho zero-três estará em missão para tentar fomentar reações do governo norte americano, contra o Brasil. Com este comportamento lesa pátria Eduardo valida os argumentos utilizados pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ)e Rogerio Correa (PT-MG), para solicitar apreensão de seu passaporte.
Com a negação daquele pedido, o argumento para a fuga se perdeu, restando ao “Bananinha” se vitimizar. Bolsonaro papi e seu filhote Zero-quatro choraram pela separação. O Junior em lágrimas, disse que não se intimidará, continuará lutando contra o sistema de Camboriú. E o pai, em voz entrecortada e com pausas dramáticas, aproveitou a encenação para desviar atenções do fracasso da mobilização golpista de domingo, no RJ, onde compareceram apenas 18 mil do milhão de “patriotários” esperados pela direita raivosa, realidade que aparentemente já foi esquecida.
Mais relevante. A fuga do filhote zero-três está ofuscando o anuncio de revolução tributária encaminhada por medida provisória do presidente Lula, que recomenda isenção ou redução de imposto de renda para cerca de 13 milhões de contribuintes.
Compensada pela tributação de 141 mil rentistas até aqui não tributados, a medida beneficiará 90% dos contribuintes, “penalizando” cerca de 0,13%. Estes seriam aqueles com renda anual superior a R$ 600 mil/ano (R$ 50 mil/mês), até aqui isentos e que agora pagarão 10%. Menos do que a metade do percentual recolhido por assalariados que, ganhando, por exemplo R$ 5.400/mês, são tributados em 27,5%.
As implicações podem ser ilustradas pelo fato de que uma professora, que ganhava por exemplo R$4 mil, deixará de recolher R$ 305 ao mês, poupando R$ 3970 ao ano. Trata-se de verdadeiro décimo quarto salário, que poderá ser utilizado para atender várias das muitas necessidades que vivenciam os brasileiros. A medida, que se soma a benefícios tão relevantes como a distribuição de remédios gratuitos, os estímulos à educação no Pé de Meia, a facilitação de acesso à moradias, bem como a isenção de impostos nos produtos da cesta básica e outras iniciativas assemelhadas evidenciam a importância de incluir os pobres no orçamento, e os ricos no imposto de renda, para a dinamização da economia nacional. O PIB está crescendo a tal ponto que apenas em janeiro (alcançando + 0,89%), superou em 3 vezes as previsões do mercado (0,3%).
Pouco se trata disso nas grandes mídias. E o presidente da Câmara ainda se refere a preocupações com mecanismos de “austeridade fiscal”, quando ameaça alterar aquela MP, que ainda precisa ser aprovada no congresso.
Vale dizer, para que todos repitam: o custo deste ajuste nas faixas de imposto de distribuirá a milhoes de famílias cerca de R$ 27 bilhões. Isto corresponde a perto de uma terça parte do que será transferido para os rentistas (cerca de R$ 70 bilhões ano), no aumento de 1% da taxa selic, anunciado na quinta-feira (19).
Como argumento adicional, considere-se que, segundo a Infomoney, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024, empresas brasileiras transferiram na forma de dividendos, para seus acionistas cerca de R$ 1,3 trilhão.
Concluindo, resta perguntar: o que mais, além da captura dos meios de comunicação e da deformação que isto provoca, no inconsciente coletivo, em favor de interesses alheios aos do povo brasileiro, explicaria interpretações de queda na popularidade e de rejeição às políticas includentes do governo do presidente Lula? E o que podemos fazer para mudar esta realidade?
Roberto Carlos e Erasmo Carlos cientes disso, possivelmente diriam: se vocês querem brigar, podem vir quente que estou fervendo.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.