Por Mabel Dias*
Um paraibano está entre os brasileiros presos pela Marinha de Israel no dia 2 de outubro por levar ajuda humanitária ao povo palestino na Faixa de Gaza. João Aguiar é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e estava no barco Mikeno, uma das 40 embarcações que faz parte da missão humanitária Global Sumud Flotilla. A deputada federal, também do PT, Luizianne Lins, também está entre os cerca de 500 ativistas detidos pelo governo de Israel.
Apesar da gravidade do fato, nenhuma TV da Paraíba repercutiu o caso. Apenas o jornal A União, meio de comunicação público, e o site Jampa News publicaram matérias, informando sobre a proposta da missão da Global Sumud Flotilla e da presença do paraibano entre os ativistas.
Geralmente, quando acontecem fatos que envolvem paraibanos, como um terremoto, por exemplo, a mídia paraibana pauta e marca entrevistas, procurando saber o que aconteceu e como está aquela pessoa que passou por tal situação. Isso aconteceu em 2017, quando a TV Cabo Branco entrevistou um paraibano que estava no México e que havia enfrentado este problema.
Entretanto, no caso do paraibano João Aguiar, militante de um partido de esquerda e integrante de uma missão humanitária, o silêncio é de causar estranheza e muitas perguntas. Qual o argumento das TVs paraibanas para não divulgar esta informação sobre a presença do paraibano João Aguiar na flotilha humanitária? Seria porque ele é filiado ao PT? A presença dele na Global Sumud Flotilla é por motivo ideológico e político e por isso não tem valor-notícia? As TVs paraibanas não têm um viés ideológico e político?
Monitorei os principais canais de TV da Paraíba (Cabo Branco, Correio, Tambaú, Arapuan e Norte) e não encontrei nenhuma reportagem ou notícia que informasse aos paraibanos que um conterrâneo seu foi preso pelo governo israelense por tentar ajudar o povo palestino com alimentos e remédios. O portal g1 Ceará, do grupo Globo de Comunicação, publicou no dia 2 de outubro, uma reportagem sobre a nota do governo brasileiro, mostrando preocupação com a interceptação do barco que levava os brasileiros até a Faixa de Gaza, levando suprimentos aos palestinos e citava a presença entre os presos da deputada cearense, Luiziane Lins. Confira matéria aqui.
Até o Jornal Nacional e o Jornal das 10, da TV por assinatura Globo News, também apresentaram reportagens sobre a interceptação no mar Mediterrâneo das embarcações que compõem a missão humanitária. No entanto, isso não foi suficiente para que a mídia paraibana se mobilizasse e procurasse saber a situação do paraibano que estava na flotilha Mikeno, contextualizando o fato, mostrando o que está realmente acontecendo em Gaza.
As reportagens do jornal A União e do site Jampa News – este último repercutiu a matéria da Agência Brasil, outro meio de comunicação público – são extensas e contextualizam o que está acontecendo ao povo palestino e o objetivo das pessoas que embarcaram nas flotilhas, “para levar esperança ao povo palestino em Gaza”, como afirma a repórter Priscila Perez, do periódico A União. As últimas informações, divulgadas nesse domingo (5), pelo perfil de Thiago Ávila, na plataforma Instagram, dizem que o paraibano João Aguiar, Thiago Ávila, Bruno Gilga e Ariadne Telles iniciaram uma greve de fome como meio de protesto por causa das prisões ilegais, realizadas pelo governo de Israel.
“A greve de fome é uma forma de protesto não violento, historicamente, utilizado por pessoas que, privadas de voz ou poder, recorrem ao próprio corpo como instrumento de resistência. Nossos ativistas presos levavam ajuda humanitária à Gaza, e foram impedidos, quando sequestrados pelo governo israelense em águas internacionais, e depois presos ilegalmente”, diz um dos trechos da postagem publicada no perfil de Thiago Ávila.
Quem quiser saber mais sobre os objetivos das flotilhas e entender o que está acontecendo com o povo palestino na Faixa de Gaza, pode acessar os perfis no Instagram da Sanaúd – Juventude Palestina, de um dos integrantes do barco Mikeno Thiago Ávila, da Federação Árabe Palestina, Juventude Fepal e do jornalista Breno Altman.
Nestes links, você pode acessar as matérias publicadas no site Jampa News e no jornal A União.
*Mabel Dias é jornalista, mestra em Comunicação pela UFPB, doutoranda em Comunicação pela UFPE, feminista, observadora credenciada do Observatório Paraibano de Jornalismo, integrante do Coletivo Intervozes, e autora do livro “A Desinformação e a Violação aos Direitos Humanos das Mulheres: um estudo de caso do programa Alerta Nacional.”
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
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